O que você provavelmente vai se arrepender quando estiver no leito de morte

O que te motiva? Esta pergunta é tão chata que começar um texto por ela é um risco grande de fazer, você, leitor, desanimar de ler até o final.

Se a primeira resposta que vem à sua cabeça é “pagar aluguel”, então… bem-vindo ao mundo adulto! (é o meu caso) Mas apenas isso pode não ser suficiente para ter uma vida feliz.

Se sua resposta é apenas “felicidade” ou “realização pessoal”, então sinto dizer que sem dinheiro você não será feliz na fila do SUS. Nossos pais focaram no aluguel e minha geração e gerações mais novas querem ser ‘felizes’, por mais genérico que isso possa parecer.

Perguntas que me faço para saber se estou feliz

Você tem orgulho da pessoa que você se tornou?

Quando se olha no espelho e pensa nas suas realizações, no que você gostaria para sua vida, no que tinha planejado e o que cumpriu, qual seu sentimento? Frustração? Indecisão? Inveja dos outros? Desejo de mudança?

Onde você gostaria de estar? Na praia, eu suponho? Ok, o mundo não vai te ajudar nisso. Tem que fazer para tentar acontecer, pois seus objetivos são projetos solitários e que durante o trajeto irá receber ajuda, mas que no final o que mais importa é mesmo o que você está fazendo para alcançá-lo.

O que você quer contar para os seus netos?

Acredite se quiser, mas a propaganda da cerveja estava certa. Se imaginar contando histórias para seu neto pode te ajudar a entender como você se vê hoje. Tente pensar onde você estaria conversando com eles, quais sentimentos vem à tona, quais histórias você contaria. E aqui eu não digo quais baladas você frequentou. Nem sobre o show do Wesley Safadão. Quer dizer, você pode contar sobre isso também, mas certamente quando se lembra de seus avôs/avós, suas primeiras memórias não são de contos sobre aquela bebedeira épica, mas sim das histórias de sacríficio, vitórias e derrotas.

Sacrifício é dor se o seu desejo é apenas pagar o aluguel

Sacrifício é entendido como um presente a uma divindade como uma forma de manifestar veneração, comunhão ou receber uma bênção da divindade. No entanto, o sacríficio só se torna sacrifício até que alguma mudança altere a oferta. Em algumas religiões africanas até os dias de hoje animais são cortados e sangue precisa ser derramado, por exemplo. Durante a quaresma, você faz um sacrifício pessoal.

No mundo contemporâneo, a oferta, sem dúvida alguma, é o tempo. O sacrifício é sangrar o tempo como forma de sobrevivência.

Não dá pra saber se você vai ser feliz

A boa e má notícia é que a felicidade, propósito e realização não possuem limites. Sendo assim, por mais feliz e realizado que seja, as pessoas jamais saberão se poderiam ter se realizado mais se tivesse seguido outro caminho. A melhor notícia é que isto também vale caso esteja infeliz. Sabendo que está sofrendo hoje e desejar mudança, no pior dos casos você apenas continuará infeliz, mas com chances de se tornar realizado e se preencher de propósito. As pessoas mais cheias de propósito que conheço sabem tomar decisões rápidas para mudar, pois sabem que seu tempo na terra é finito.

De novo, o que te move?

Normalmente ignoramos nossos desejos verdadeiros apenas para realizar o sonho que os outros sonham para gente. Você não deve nada a ninguém. Se não sabe o que te motiva, pelo menos dá para saber o que você provavelmente se arrependerá quando estiver no leito de morte.

Não é pular de bungee jump. Nem ir pra Ibiza.

Uma enfermeira australiana que trabalhou durante anos com cuidado de pacientes que iriam morrer em algum momento próximo. Segundo ela, momentos incríveis foram compartilhados com pessoas que tinham entre 3 a 12 semanas de vida. [1]

Quando questionados se tinham algum arrependimento ou se fariam algo diferente, algumas das respostas mais comuns foram:

Gostaria de ter tido coragem de viver a vida verdadeiramente para mim, não a vida que outros esperavam de mim

Este foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham pro passado com clareza, é fácil perceber quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não honraram nem metade de seus sonhos e tiveram que morrer sabendo que foi por conta das escolhas que eles fizeram ou deixaram de Fazer.

O que você é apaixonado por fazer e como você pode fazer outras pessoas gostarem tanto do que você faz a ponto de pagarem por isso, te ajudando a se sustentar e ter um estilo de vida que te deixe mais feliz?

Queria não ter trabalhado tanto

Isto foi falado por todos os pacientes homens que ela cuidou. Eles perderam a infância de suas crianças e a companhia de sua parceira. Mulheres também falaram deste arrependimento, mas como eram pessoas de geração mais velha, a maior parte delas não foram chefes de família. Todos os homens que ela cuidou se arrependeram de terem passado tanto tempo de suas vidas em um moinho de existência para o trabalho.

Eles se arrependeram do sacrifício que fizeram, pois o propósito não estava claro nem diretamente relacionado com seus desejos e motivações pessoais.

Seu propósito de vida e o que faz hoje te preenchem de felicidade e propósito?

Gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos

Muitas pessoas guardam seus sentimentos de forma a manter a paz com outros. Como resultado, ficaram com uma existência medíocre e nunca se tornam o que seriam capazes de se tornar de verdade. Muitos, segundo ela, desenvolveram doenças relacionadas a amargura e resentimento que carregaram como resultado.

Não dá para controlar a reação dos outros. Embora inicialmente as pessoas poderão reagir conforme você muda a forma de ser por falar honestamente, no final pode levar o relacionamento a um nível novo e mais saudável. Ou isso ou então ajuda a deixar pra trás relações doentes da sua vida. De qualquer forma, você vence.

Não seja inocente de falar tudo o que pensa, pois pode magoar os outros ou acabar ouvindo o que não gostaria. Seja assertivo, tanto para assuntos negativos como para falar para a pessoa que você ama o quanto gosta dela.

Gostaria de ter mantido contato com meus amigos

Segundo a enfermeira Bronnie, era comum eles somente perceberem o valor de velhos amigos até o momento de sua morte, quando não era mais possível encontrá-los. Muitos ficaram tão presos a suas próprias vidas que deixaram amizades valiosas escapar ao longo dos anos. Todos sentiam fata de seus amigos quando estavam morrendo.

Deixe isso de networking interesseiro para lá. Cresça. Se interesse de verdade pelas pessoas, mesmo que poucas, mas crie relações de qualidade.

Gostaria de ter me permitido ser mais feliz

Este arrependimento é comum. Muitos não perceberam até o fim que a felicidade é uma escolha. Eles permaneceram presos a velhos hábitos. O “conforto” da familiaridade dominou suas emoções, assim como seu físico. Medo de mudança os fez ficarem fingindo para os outros e para si mesmos que estavam felizes, enquanto lá dentro eles desejavam rir de verdade e ter pequenas bobeiras de volta em suas vidas.

Quando está pra morrer, o que os outros pensam é o que menos importa.

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[1] http://bronnieware.com

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