O frio que vem da internacionalização

Produzir em outro país para conseguir preços competitivos.

Os consumidores chamam isso de economia, os donos dos recursos chamam de oportunidade de emprego, mas para os que estão trancados na fabrica não tem tempo, dinheiro ou saúde para pensar em um nome.

Responda rápido:

Você compraria um celular produzido em uma fábrica em que seu filho trabalha em condições sub humanas?
( ) Sim (X) Não

Você compraria um celular sem se preocupar com como ele é produzido?
(X) Sim
( ) Não

O comércio internacional usa da alienação para abusar da população em um país e entorpecer a de outro. Um lado é mantido refém para dar liberdade a outro e aqueles libertos estão tão ocupados em suas bolhas consumistas que não se percebem estrangulando os recursos do planeta e colaborando para a pobreza de países inteiros.

A alienação é a chave para a gentrificação. Se você é alienado, você faz parte do problema.

O primeiro passo para entender a relação entre alienação e gentrificação é olhar para o que significa ser um país de primeiro mundo, termo originado na teoria dos mundos:

“…descrever o conjunto de países que posicionaram-se à favor do capitalismo e se aliaram aos Estados Unidos durante a Guerra Fria. O termo também é usado para descrever os países desenvolvidos, já que a maioria dos países que compõem o primeiro mundo tem um considerável desenvolvimento econômico e social, e dessa maneira a maioria dos países hoje considerados desenvolvidos eram os que pertenciam ao Primeiro Mundo…”

Para o capitalista a busca por lucratividade passa obrigatoriamente pelo aumento constante do consumo. A demanda por um produto ou serviço deve ser estimulada constantemente ou a atividade se torna anti-capitalista, não lucrativa.

A primeira ̶t̶e̶o̶r̶i̶a̶ ̶d̶a̶ ̶c̶o̶n̶s̶p̶i̶r̶a̶ç̶ã̶o̶ lei do capitalismo é a demanda por individualismo. Vale mais vender um carro para cada família ou um carro para cada membro da família? O capitalista responderia um carro para familia e um carro para cada membro da família.

Ônibus ou carro?

Sabotar o transporte público, por exemplo, para tornar o carro a opção certa é prática no mundo todo. Não importam o prejuízo social (1/4 de São Paulo é construida para carros enquanto faltam espaços públicos e moradia acessível) e o custo para o planeta. E se você atacar a indústria automobilística você visitará a segunda ̶t̶e̶o̶r̶i̶a̶ ̶d̶a̶ ̶c̶o̶n̶s̶p̶i̶r̶a̶ç̶ã̶o̶ lei do capitalismo.

A segunda ̶t̶e̶o̶r̶i̶a̶ ̶d̶a̶ ̶c̶o̶n̶s̶p̶i̶r̶a̶ç̶ã̶o̶ lei do capitalismo é que ele é fundamental para o mundo; que sem capitalismo(veja, eu não disse dinheiro, mas capitalismo) o mundo não tem salvação.

Essa lei existe para justificar a si. O capitalismo se faz fundamental através de lobby e guerra. O lobby impede que a sociedade se desenvolva além das barreiras do dinheiro e a guerra destrói aqueles que desafiarem o primeiro mundo, então o mundo não tem salvação fora do capitalismo porque entraria em guerra e para manter a demanda de indústrias gigantescas precisamos aceitar que o papel do capitalismo é fundamental.

É plata ou plomo.

Então eis o plano: Se uma indústria que emprega muita gente começa a ir mal, o Estado é pressionado a intervir para que as pessoas não fiquem desempregadas, ou seja, deixem de ser empregadas no sistema capitalista. Acontece que o capitalismo é quem precisa empregar essas pessoas em seu sistema e não ao contrário.

Quando a economia vai bem temos uma população pobre crescente. Quando a economia vai mal temos uma população pobre crescente.

E chegamos a terceira ̶t̶e̶o̶r̶i̶a̶ ̶d̶a̶ ̶c̶o̶n̶s̶p̶i̶r̶a̶ç̶ã̶o̶ lei do capitalismo. Ou o custo de produção é baixo ou então as margens de lucro diminuirão e sem lucro uma atividade não é capitalista, então precisamos garantir o lucro tendo mão de obra barata(reparem que eu não disse mão de obra desqualificada, eu disse barata) e processos que reduzam o custo.

Ter uma mão de obra barata é ter a melhor relação entre o que você paga e o quanto a pessoa produz. Existem dois caminhos para isso.

a) Educação (eu não disse treinamento).
Educação é capacitar uma pessoa a pensar, treinamento é adestramento disfarçado de educação. A primeira é perigosa, porque pode criar o que Paulo Freire definia como uma pessoa capaz de ser sujeito de sua própria história, a segunda não é perigosa, pq ajuda a qualificar um recurso que sera empregado pelo sistema de produção e que depende do sistema.

O Brasil, com seu boom de faculdades particulares tem péssimos treinamentos disfarçados de educação.

b) Pagar pouco. Mas pagar pouco tem um problema. Se você paga pouco você não tem consumidores do produto que você esta produzindo. Afora que pega mal com a sociedade pagar R$0,50 para produzir uma bermuda e vender ela a R$220,00 e deixar que escravo e empregado se conheçam.

Idéia: Separar mercado produtor de mercado consumidor. 
Tática: Utilizar o oceano para isso. 
Problema: A internet ta fudendo com esse plano.
Solução: Barrar essa porra de internet por que esta surgindo muito comunistazinho.

E assim, a produção de bens atravessou o oceano, e os consumidores ficaram na sua terra esperando o navio chegar. Eles não precisam refletir sobre como o produto é produzido a não ser que a mídia que ele lê o faça ler sobre isso, mas sem problemas porque essa mídia quer vender espaço de propaganda para a marca que usa trabalho escravo e as duas notícias, uma com a foto da modelo ou do modelo usando a roupa e outra com a foto do escravo ou da escrava trancados no ateliê não são vão ajudar a vender mais.

A alienação, como eu disse no início, é a mãe da gentrificação que o capitalismo emprega para ̶c̶o̶n̶s̶e̶g̶u̶i̶r̶ ̶v̶e̶n̶d̶e̶r̶ ̶m̶a̶i̶s̶ ̶b̶a̶r̶a̶t̶o̶ aumentar os lucros, mas o importante é usar roupa bonita, trocar de carro e derrubar aquela favela que impede a construção do condominio de luxo ou a passagem do asfalto pra ter mais espaço pra transito que deixa as pessoas loucas que depois vão consumir remédinho pra ser feliz.

Não é crise, é plano e a distância é fundamental para que a alienação se torne natural.