I make my own scars

Jason Levesque

A pele branca como a neve era salpicada por cicatrizes nos mais variados tons. Rosa, marrom, cinza. Não, sua pele clara jamais serviria de inspiração para contos de fadas.

Cada pedacinho era coberto por pequenas marcas, como tatuagens que ela não decidira fazer até que já era tarde demais, como lembranças de batalhas antigas, de batalhas perdidas.

Escondia cada uma delas com panos e tintas e métodos, de forma a evitar as perguntas curiosas dos pequenos e os olhares maldosos dos grandes. Eles não entenderiam.

Aquilo que eles interpretavam como fraqueza da mente, ela via como poder. Controle. “Eu me machuco antes que outros tenham essa chance. Eu faço minhas próprias cicatrizes.”

Perguntei se ela não estava levando a metáfora um pouco a sério demais. Silêncio. Já não sabia dizer onde perdera o controle, onde a alegoria se tornara literal.

Decidiu que não importava. Porque as cicatrizes estariam sempre lá, trazendo o conforto do falso controle sobre o sofrimento que ainda estava por vir.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Ivy Leça’s story.