caçar palavras sem atirar

soltar a voz é
se atirar do precipício
é grito interno que ecoa
mergulho profundo
que a onda não atropela
é abrir os pulmões
e deixar o ar entrar
é caçar palavras sem atirar
correr no escuro num labirinto 
sem saída e sem volta
em volta de si
é agarrar as próprias mãos
aperto forte entre os dedos
no silêncio que acalanta
é frio na barriga que aquece
é a paz de quem se reconhece
o poder de quem cede
e de poder enfim ser