Não há razão onde há amor.

É difícil, eu não vou mentir. Está sendo impossível sair de casa e não imaginar encontrando você, do nada. Difícil não ir nas suas redes sociais pra ver se você ainda está com ela, malditas fotos. Inevitável não olhar diretamente pro seu contato quando eu vou procurar outra pessoa. Não está sendo fácil, nem um pouco. E sendo pior ainda fingir que eu estou bem, que eu não lembro de você a cada minuto que passa, fingir que eu estou superando ou que não estou triste por não estar com você e que, pra variar, você está com ela. Eu não consigo, o tempo vai passando e eu vou deixando isso escapar aos poucos, que é toda essa máscara e fingimento que eu estou muito bem, aliás, bem melhor sem você. Uma hora as lágrimas vão passar a dizer por mim. Eu nunca fui muito de chorar, mas você consegue provocar esse efeito em mim. Mas eu lembro que nada é pra sempre, sei que um dia você vai precisar viver sua vida e eu, a minha, e cada um vai para lados e caminhos diferentes. Não vou mais sair por aí esperando te encontrar, não vou mais me arrumar do melhor jeito para ir naqueles lugares que você me levava, na esperança de ver você lá, mesmo que seja com outra pessoa. Meus restos de esperança já vão ter tido um fim. Eu deveria pensar por esse lado sempre, deveria pensar que eu vou superar tudo isso e um dia você só vai ser uma boa lembrança, talvez ruim, mas necessária para meu crescimento pessoal e amadurecimento. Mas eu não penso, porque não há razão onde há amor. Não quero que minhas esperanças morram, não quero te esquecer, não quero parar de imaginar nós dois juntos, não quero que se torne uma lembrança, quero que seja uma realidade, meu presente, meu futuro e passado também, que já é. Eu deixei você se tornar minha âncora, pra me ancorar em você e te ter como base, apoio e suporte pra me manter com os pés no chão sempre. Mas você deixou a realidade mudar, manteve-me com os pés no chão e eu vi que não era eu quem você queria, por que você fez isso? A verdade nunca doeu tanto, foi pesada como uma âncora, me afoguei, agora uso meus devaneios como refúgio para tentar sobreviver, nesse mar de dor e angústia pela verdade. E só depois eu vi, foi a própria âncora que me afogou, a âncora que eu queria pra me manter firme. Moral da história? Cuidado com o que você deseja, às vezes você pede pela dor.