Theodoro de Bona: inspiração indireta para artistas contemporâneos

Artista paranaense inspira através do belo e do prestígio

Flaviane Rocha, Heloisa Ehlke, Izabelly Lira, Mariana Trindade, Nathalia Gorte

Auto-retrato — Theodoro de Bona, 1941 / Crédito: Itaú Enciclopédia

O artista paranaense Theodoro de Bona nasceu em 1904 e, desde então, faz história. De Bona foi adepto do movimento impressionista, e atuou como professor de artes plásticas, gravador, escritor, pintor e desenhista. Ex-aluno de De Bona na Escola de Bela Artes do Paraná e professor de artes, Ivens Fontoura explica que o artista se tornou um grande mestre quando foi estudar na Itália, na Escola de Belas Artes de Veneza. Mestre esse que continua a influenciar artistas contemporâneos por meio da sala “Theodoro de Bona”, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), localizado em Curitiba. O espaço garante prestígio há quem lá expõe, fazendo com que o nome de De Bona, mesmo que indiretamente, atraia novos artistas.

A sala foi denominada assim em 1989 e, segundo a diretora atual do MAC Paraná, Leonora Pedroso, a gestão da época escolheu homenagear De Bona por ele ser um importante nome na história da arte paranaense.

Para ter seu trabalho exposto na sala Theodoro de Bona, é necessário que o artista interessado envie uma proposta à direção do museu. Não é obrigatório, porém, que os artistas tenham influências do trabalho de De Bona, afirma o responsável pela montagem de exposições do MAC Paraná, William de Almeida Batista. Apesar disso, foi por influência de outros artistas que De Bona se tornou um grande impressionista. Entre eles, o artista norueguês Alfredo Andersen e o pintor italiano Michelangelo Caravaggio. De acordo com Fontoura, De Bona citava Caravaggio em sala de aula. “Ele falava: ‘Caravaggio dizia: na arte, quem não é revolucionário, é plagiário.’”

Via Sacra: 12a estação: 
Jesus Morre na Cruz — Theodoro de Bona, 1977/1978 / Crédito: Arte na PUCPR (Ivens Fontura)

Em sala de aula, Fontoura tinha De Bona como “tecnicamente perfeito”. O aluno descreveu o professor como rígido e exigente. “Ele dizia: ‘Dez é para Deus, nove é para mim e oito é para algum aluno que não está aqui.’ E nós gostávamos.” De acordo com Fontoura, De Bona era o professor que fazia os alunos verem além do óbvio e sempre andava dentro de uma estética apurada. De Bona também era adepto à se autorretratar em suas obras. Como exemplo dessa técnica, Fontoura destaca a pintura “Via Sacra: 12a estação: Jesus Morre na Cruz”, produzida por De Bona entre 1977 e 1978.

A sala Theodoro de Bona no MAC Paraná preza por exposições de artistas contemporâneos, afirma Pedroso, objetivando o incentivo a artistas jovens. Para Fontoura, De Bona faria piada desse fato, pois era feroz crítico e defendia o belo.

Marco Voigt, responsável pelo acervo do MAC Paraná, afirma que as exposições no espaço Theodoro de Bona são curtas, para haver mais rotatividade entre os artistas. Nomes importantes na arte contemporânea já passaram pela sala, como Daniel Duda e Bení Moura, ressalta Voigt. Apesar de não se inspirarem em De Bona, expor na sala Theodoro de Bona dá prestígio aos artistas.

De Bona influenciou artistas como Luiz Carlos de Andrade Lima e, segundo Fountoura, a influência do artista lamentavelmente pode chegar ao fim por conta da modernidade. O ex-aluno afirma que “O belo continua, independente da época. E o belo estava na pintura do De Bona. E vai continuar na pintura de quem quiser se nutrir, absorver esse conhecimento e essa sensibilidade.”

A exposição atual da sala Theodoro de Bona é intitulada “Ícaro e o Labirinto”, dos artistas Andre Serafim, Bení Moura e Marcel Fernandes, com curadoria de João Henrique do Amaral. A mostra fica em cartaz até o dia 5 de março de 2017.

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