Meu órgão mudo

Eu penso e o pensamento flutua
e soa como mil cantigas líricas
do caos dotado das flautas oníricas
à calma que, coberta em seda, recua.

Canto, então, de conjunto selado
a cada passo em falso, deselegante
como se fosse um xucro amante
que gagueja confinante ao desavisado.

Em cada berro surdo do meu órgão
eu inflo meu peito deste amor pagão
que tirou de mim a minha essência.

E compreendo a falta de expressividade
a falta de tudo, de olhar, vontade
que preenche meu ser, em decadência.