Liberdade

Encontrei um rolo fotográfico, daqueles antigos de algo não revelado.
Revelei.
Eram dezoito anos, balões pretos, sorriso de Ozzy Osbourne na boca, dentes livres e no pulso um bracelete com a estrela invertida. Crença.
Familiares, amigos, sacolinha da Riachuelo, primos inocentes.

Mais sorrisos de um Ozzy perdido dentro de mim.
Porque encontrar depois de tantos anos esse rolinho de filme? 
Me lembrei de tudo e do quanto esqueci de mim, da minha força e do que eu queria ser. Tudo.

Eram dezoito anos. Cabelo curto, vestia moletom no dia do aniversário. 
Mil anéis rodavam nos pequenos dedos. Mãos de reiki absoluto. Bruxa.
Menina mágica, eu era.
Todos podiam ver. Todos ainda podem ver. Me escondo.

As fotos reveladas estão no mini escritório pra lembrar meus dezoito anos, as caminhadas que fiz em cemitérios, seja pra encontrar Deus ou o Diabo. 
Vamos dar a ele essa maiúscula.
Pra lembrar da doença da avó que matou mais de um na casa e também a mim.
Pra lembrar dos estudos eternos, da busca do elixir, da música que salva, da luta contra o capital, do encontro com a vida, lembrar ainda o sonho de toda uma alegria: viver de arte.

Vinho, abraço de vó, saudade da mãe, o pai distante. Faculdade impossível, pobreza emanando dos tijolos, esperança sagaz e força. A melhor de todas.

Eram dezoito anos e tanta coisa pra entender. 
Sem nada entender agora. Ainda assim são dezoito anos de idade, sempre.

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