O NOVO EXÉRCITO DE UNICÓRNIOS

Jackson Araujo
Aug 29, 2017 · 2 min read

Como a marca À La Garçonne veste a geração pós-millennial para inspirar juventude em seus consumidores perennials

Fila final do desfile À La Garçonne | Coleção 02–2017 || Foto original AGÊNCIA FOTOSITE | FFW

No desfile montado no histórico palco do Theatro Municipal de São Paulo, a dupla Souza Herchcovitch apresenta o seu megaliquidificador de estilos como linguagem de marca, fortalecendo assim seu propósito maior. Para além de ressignificar peças vintage, dar nova vida ao tradicional workwear e utilizar matérias-primas de estoque, À La Garçonne assume seu gosto por transitar entre a fluidez de gêneros e estilos que marcam a chamada Geração Unicórnio.

A começar pelos cabelos curtos e coloridos do casting de meninxs — tão naturais que se sobrepõem a qualquer artifício do sempre preciso styling de Mauricio Ianes — , a apresentação convida a uma reflexão que pode vir pautada pelo discurso potente do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, conduzindo a acreditar que a tal Geração Unicórnio, "se desenvolve em meio a uma reconfiguração da noção de identidade, a qual deixa de ser percebida como algo fixo, inflexível e sem alternativa, para ser observada como algo adquirido por um longo processo de construção diária, fruto de diversos sistemas de significação e representação cultural".

Alexandre sempre questionou noções de gênero em suas apresentações, muito antes dessa pauta se tornar algo irreversível nas discussões cotidianas sobre a #ModaProNovoMundo. Em suas falas, ele afirma que não se preocupa em fazer roupas masculinas ou femininas, mas para pessoas que se identificam com as peças que cria.

E isso fica muito claro não só nas escolhas de seu casting plural, mas também na forma como as roupas são vestidas e desfiladas por unicórnios majestosos, construções do imaginário Souza-Herchcovitch-Ianes.

Vestidos de renda convivem harmonicamente com camuflados, em tênis estampados ou saltos performáticos. Corpos masculinos, femininos ou tanto faz configuram um novo cardápio estético à disposição de quem quer (e pode) usufruir de um guarda-roupa tão fresh e inspirador.

É aqui que entra essa nova configuração Perennials, que nasce como contraponto à tendência de classificar as gerações por idade e características referentes a seu tempo (millennials/Y, Z). É com esse "novo" consumidor que ALG quer falar, gente que tem menos a ver com cronologia e mais com mentalidade.

Os Perennials não estão ligados a uma geração específica: são pessoas que não se definem por gênero, idade, etnia, classe socioeconômica. Mas gente que acumula a tecnologia dos mais novos — inclusive se reiventaram nos aplicativos e redes sociais — e conserva o bom senso (e o poder aquisitivo) dos mais maduros.

E assim, a moda segue seu fluxo e poder de influenciar e inspirar o sonho da eterna juventude, com soluções rápidas para os complexos desafios do tempo.

*Colaborou Luca Predabon.

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade