Mobile Product Design: Entregando valor para o time e usuários

O sucesso do aplicativo depende de uma combinação de diversos fatores envolvendo UX, marketing e negócios. Mas para tudo isso funcionar, como você vem lidando com o seu time? Você tem participado da implementação das interfaces? O seu time vem participando do processo criativo?

Nesse post eu reforço alguns pontos levantando a importância de todo o time participar do processo de design, e o quanto isso pode influenciar no resultado final do seu produto.

1) Lean UX e prototipação

Para quem é adepto do mundo ágil, esse conceito não é nenhuma novidade. O seu tempo é precioso e a organização dos seus entregáveis pode ser trabalhosa demais.

Tente substituir suas horas desenhando fluxos por alguns simples desenhos (talvez um quadro branco, um vidro ou até mesmo um caderno) e chame todo o seu time para discutir sobre ele. Em vez de criar um wireframe completo, estimule suas ideias conversando com todos sobre como deve se comportar cada uma das features em cada plataforma.

Colete feedbacks de todos do time (desenvolvedores, QA’s, gerentes de projetos, etc). Você perceberá que tudo fica mais fácil para fazer mudanças enquanto sua tarefa se encontra no “plano de ideias”.

O objetivo disso tudo é colocar um protótipo na frente dos usuários e stakeholders o mais cedo possível. Se você testa e logo corrige, terá mais chances de testar uma segunda versão, e uma terceira, e uma quarta.

2) Design e múltiplas plataformas

Um dos grandes fatores de engajamento nas apps mobile é trabalhar bem a sua user interface. Cada plataforma tem um conjunto distinto de convenções e qualidades e suas decisões de design podem comprometer, e muito, a experiência do usuário. Fazê-lo se sentir deslocado no contexto de uma guideline diferente pode trazer grandes problemas de conversões.

A duplicação de elementos entre as plataformas vem se tornando um erro comum — campos de textos, selects, switches e outros componentes funcionais devem dar uma sensação nativa para os usuários. Optar por componentes nativos da aplicação estimula as pessoas a se sentirem confortáveis em “inputar” seus dados confidenciais ou detalhes de pagamentos, por exemplo, garantindo uma boa usabilidade e ajudando o time de desenvolvimento a manter o propósito de cada guideline.

Elementos nativos podem gerar resultados significativos na usabilidade da interface, porém não é uma regra. Avalie o objetivo do seu produto com o resto do time e coloque na “balança” o tempo x esforço de customização de um elemento fora dos padrões.

3) Experiência web em aplicativos

Alguns projetos ganham vida primeiro na web e muitas das vezes há uma necessidade enorme em expandir para o mundo mobile. O problema é que muitos vêem o design responsivo como uma alternativa de se tornar um aplicativo nativo. E isso pode causar grandes problemas para quem vai desenvolver e principalmente para os usuários.

Uma coisa é certa: os usuários de aplicativos não se comportam iguais aos usuários na web. O que nós projetamos na web muitas vezes soa estranho na experiência mobile — não necessariamente porque algo está errado, mas porque é simplesmente diferente do que os usuários esperam ver.

Um exemplo é o uso de underlined links. Você deve evitar o uso de textos sublinhados, que fazem parte do modelo de página do navegador e não fazem parte do modelo de exibição de aplicativos, pois causam a impressão de levar o usuário para fora da app. Para isso usamos os botões e não links.

Os aplicativos podem sim servir de expansão do site de alguma empresa, um e-Commerce ou até mesmo de um jogo. Porém são experiências diferentes e que devem ser respeitadas. Fique atento às guidelines de cada plataforma e pesquise qual a melhor maneira de expandir o seu produto e manter uma comunicação eficaz entre o mundo web e mobile.

4) Participe mais do desenvolvimento

Seu design precisa ser exportado e o time precisa trabalhar para implementá-lo. Parece um fluxo simples, mas mesmo assim surgem muitas dúvidas de ambas as partes sobre os entregáveis. A melhor maneira de fazer isso é documentando e principalmente se comunicando.

Mesmo com o surgimento de várias ferramentas como o Zeplin e o Sympli, que por sinal são ótimos agregadores nesta etapa das entregas e documentação, muitas informações ainda continuam obscuras e parece que o seu trabalho chegou ao final. Mas não se ausente! Participe desta entrega conversando com o seu time e explicando suas decisões. A melhor maneira de garantir a qualidade do seu design é participando do desenvolvimento.

Com o grande crescimento dos devices no mercado, ficou ainda mais difícil o controle e suporte a todas as versões e resoluções. Fique atento com as exportações de seus assets e garanta o suporte sobre os melhores formatos e dimensões, garantindo sempre a qualidade de cada entrega.


O envolvimento do time no processo de design pode complementar e muito o resultado final do produto. Envolvê-los no processo criativo e nas diferenças entre plataformas é um ótimo caminho para entender como tudo funciona por trás da interface.

Podemos fazer mais juntos. Unificar o processo de design com o de desenvolvimento pode gerar resultados ainda mais incríveis para as pessoas.

E no seu time, como funciona? Será um prazer conhecer seu trabalho! Deixe abaixo o seu comentário.