A cada instante essa realidade me repele e me fere, esse mundo que só quer minha pele. Parte de mim grita “não gele! se revele!”. Mas boa parte, cansada, sussurra “cansei… só eu sei o quanto andei, o que achei, quando pela minha liberdade clamei. Cravei no mundo pequenas marcas de mim, dancei com a vida, beijei a morte e me tornei mais forte. Mas ai de mim, não encontrei meu norte… e agora, o que faço com a minha sorte? Sorte de se descobrir que me fez florir, mas minhas flores, o mundo não quer ver sorrir. O que devo fazer? Fluir ou fugir? Só quero algo que me conforte. Mas me disseram que a zona de conforto é fogo cruzado disfarçado. Bizarro, eu que não sei de nada, ter que escolher dentro do que me conforta o que deve ser morta, ou me servir de porta. Me solta! Como vou saber o que importa, se não sei o que me entorta? O que já me alinhou uma hora, me deixou torta. Já sei! preciso de uma comporta dentro de mim, pra regular tudo que escoa sem fim. Comporta sentimental, seria você minha solução ou meu fim brutal? Como eu sou banal… presa no dilema se sentir é o que me faz mal, ou o que me deixa alto astral. Mais trivial que um velhinho na varanda lendo jornal, só um jovem querendo repostas do que lhe é fatal. A primeira parte de mim, com um sorriso de lado, não debochado, só aliviado, como o de uma mãe que acabara de perceber o que seu filho passa, e o que deve dizer; fala “tolo… ainda não percebeu que viver é andar de mãos dadas com questões existenciais? A vida não se encontra nas respostas, ela existe apenas nas perguntas, embora elas coexistam. Mas persista! se viver é questionar, ao, numa resposta estagnar, nessa caminhada quem será seu par?”