Reconhecer o próprio valor é ser gentil consigo e com o universo

Que habita em ti e te rodeia

Eu precisei transcender para enxergar o meu verdadeiro tamanho. Eu precisei sair de mim para conseguir me colocar no lugar, no meu devido lugar. Sempre achei que eu não cabia em lugar algum, sempre me enxerguei pequena demais diante dos outros a ponto de não aparecer em minha própria vista. Eu não me enxergava, achava não merecer ser vista, tão pouco contemplada. Quando se vive uma vida baseada em comparações, você nunca será o suficiente — nem pra si mesma. Porque sempre terá alguém mais feliz, mais bonito, mais rico, mais sortudo. Mais, mais e mais, que te faz acreditar ser menos, menos e menos. Mas essa crença não é sua, você não escolheu acreditar nisso. Te ensinaram a enxergar dessa maneira porque uma pessoa que olha demais para os outros não olha para si. E uma pessoa que não se vê, não se conhece, não se reconhece. Querem que você viva à base da comparação porque ela gera insegurança, e nada mais perigoso para uma sociedade do que uma pessoa que se ama. Se amar é um ato revolucionário e não te querem livre de tudo aquilo que fizeram pra te aprisionar. Quando você se ama, você se respeita e reconhece o que te faz feliz, e é aí que mora o problema. Você aprende que pra ser feliz não é necessário ter tudo aquilo que gerava sua insegurança, você aprende que tudo que você precisa ter é você mesma, e que isso é o suficiente. E é assustador uma pessoa que sabe o próprio valor porque ela não tenta se moldar pra encaixar nos lugares com valores rotulados. Ela sabe que esses lugares se encontram no polo oposto da autorrealização. E não há nada que ela queira mais do que isso porque estar em paz consigo não tem preço. A leveza do amor próprio te abraça quando você começa a ter consciência de que cada ser é um universo, e nenhum é mais significante que o outro, cada um possui sua própria beleza, complexidade. Me coloquei no lugar no mundo quando eu percebi que tenho um, que não sou apenas uma sombra que apenas reflete intimidada, mas não existe de fato, não ocupa nenhum espaço. Eu existo. Não mais que você, não menos que o outro. Estou aqui e sou tão grande quanto qualquer ser que caminha ao meu lado. Eu importo. Sentir a grandeza da minha existência e a importância de tudo aquilo que habita em mim foi a forma mais gentil que encontrei de me amar. Contemplar tudo que sou foi o jeito mais verdadeiro que consegui de me admirar. E reconhecer que o universo que tenho dentro de mim é do mesmo tamanho que o que me rodeia foi como reconheci, que no final, somos o mesmo, somos um.