Origem de Tudo.

(Apenas um delírio se poetizando)

A origem de tudo se dá no início do nada 
Lá, não havia a pressa da estrela alada 
Não havia a solidão do planeta anão
Nem mesmo a música que reside no bater do coração.

A origem​ de tudo não tem data certa
Vem de quando a saudade não aperta 
Pois vem antes do tempo aprender a contar 
(E antes do pássaro aprender a cantar)
Antes mesmo do universo todo se conectar.

Não compreendo a origem de tudo
Pois ela nasce onde o passado é mudo
E mesmo se falasse (ou gritasse, que seja) 
Para tal fala, meu ouvido seria surdo.

A origem de tudo conduz a vida
Motivo este que não consegue ser ouvida. 
E para um ser quadrado como eu 
Muito menos entendida.
Por mais que sejas bela, há de ser escondida.

Não compreendo pois não consigo ver 
E se me fosse mostrado 
Cega eu iria parecer 
Se eu visse a complexa vista 
Pra mim não passaria de inútil pista.
Não desvendaria nem o m do mistério
E tal visão jazeria no meu cemitério.

A origem de tudo traz o estatuto universal
(Que nasceu antes do mar pensar em ter sal)
Ela rege as leis de toda a vida 
Obra misteriosa de um artista sem ferida.
Ela que impõe as regras desse imenso jardim 
Decide onde começa e onde tem fim
Decide o que passou e o que há de ser vivido
Nem que seja na memória de um coração esquecido.

A origem de tudo traz consigo todos os ciclos infindos
Desde os mais cruéis aos mais lindos.
Oscilantes, percorrem extremos
Com a chegada ao topo vem a ladeira que descemos.

Tudo faz parte de um ciclo minucioso 
Desde um pequeno átomo até um planeta grandioso.
Tudo que vive e existe 
A lei dos ciclos se agrega e persiste.

Tudo começa em formas circulares orbitantes 
Tentemos as entender o quanto antes
Tudo se condensa para então expandir
Já expandido se prepara em colapso pra contrair

A origem de tudo simplesmente surgiu 
Trazendo consigo tudo que por ventura urgiu 
Trouxe a curva do sorriso
Trouxe o chão que tanto piso
Trouxe o charmoso elevar do peito ao respirar
Trouxe o nervoso que me dá quando te pego a me encarar
Trouxe a beleza da primeira nota musical
E junto com ela toda orquestra celestial
Trouxe a primeira corda que fez som
Mostrando que música é, de fato, dom 
Trouxe o arrepio dos toques circulares Que eriçam-me a nuca e tiram-me os ares
Trouxe arte tão crua!
Trouxe poesia tão nua!
Trouxe as fases cíclicas da lua
Trouxe uma vida pra chamar de tua.

Existimos e não sei o porquê exatamente
É motivo inalcançável para uma mente doente 
Impregnada com a doença da paixão
Que não sabe ouvir: apenas fazer barulho em vão
Mas nossa existência se dá na origem da mesma fonte 
Que é tão pura quanto a linha do horizonte.

A origem de tudo é mãe que até o órfão tem.
Estás sempre a cantar com leveza
És bela e cautelosa senhora
Mas por que inventar a tristeza?

Saber sobre a origem de tudo ao estreito 
Parece-me busca sem proveito
Basta abrir os olhos, sem resposta alguma
A jornada se dissolve como se nunca tivesse existido uma.

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