No banho, a água leva o cheiro dela
leva a cor, o gosto, a voz.
Penetra só a essência 
e como seiva, lentamente e sempre, 
sobe às memórias e vira estrela.
No fim do dia, o que sobra dela em mim
são só momentos, lembrança, ex-tempo.
Mas lembrança essa que como raiz
se firma em meus nervos e
em meus fios de cabelo. 
E então quando me toco,
quem toca (de longe) é ela 
- suas mãos macias e dedos trêmulos -
todos organizados de forma orquestral
para trazer ao agora, a noite passada
e a memória vem, 
como trovão que ecoa em mim 
fazer a tempestade de lembranças cair.
Me molho. 
E dessa vez não para levar
mas para trazer, enfim 
o cheiro dela. 
E assim o passado se concretiza
dentro de mim.
No final fica só o gosto 
a ressaca do que fora.
Entre os lábios de um beijo de adeus
é que mora a saudade.
-JadeMaria
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