Fazer nada.
Um pouco sobre não ter nada pra fazer.

Hoje acordei cedo. Milagre? Não, era febre e gripe mesmo.
E quando acordo com febre é dia de ficar em casa. E o que a gente faz quando fica doente em casa o dia inteiro? Nada. E o que a gente faz quando não tem nada pra fazer? Abre o Instagram, vê 200 fotos de gente que tem uma vida 10 vezes melhor que a nossa, depois quase quebra o scroll do mouse vendo a timeline do Facebook e aí quando o tédio começa bater mesmo, você procura uma droga mais pesada, tipo Youtube. Você começa vendo os melhores momentos do jogo de ontem do seu time e 3 horas depois você ainda tá lá, vendo a final de 1993.
E hoje ví uma frase (ela tá no final desse texto) que me fez tentar lembrar de como era antes de tudo isso. Me fez tentar lembrar quando foi que mudamos o conceito de “fazer nada”. E o que eu fazia quando não tinha nada pra fazer antes do Instagram, Facebook e Youtube.
Hoje não existe não ter nada pra fazer. Se você tá entediado você tira uma foto da janela e coloca uma frase de efeito junto que parece que você tá super feliz. Em algum momento o fazer nada virou algo terrível, não dá pra ficar sem fazer nada enquanto tanta gente tá fazendo tanta coisa no Instagram.
Em algum momento muita coisa mudou. Em algum momento ganhar um like virou mais importante do que ganhar um oi. Em algum momento a forma que você sai na foto do rolê virou mais importante do que como foi o rolê.
Essa história da “foto do rolê” surgiu há algum tempo atrás quando eu e uma amiga também fotógrafa fomos juntos fotografar um evento em uma empresa. A gente falava como tudo era montado, fake. Como as pessoas pediam pra repetir e tirar outra foto só pra sair tudo perfeito. Resumindo, a gente achava que na teoria a fotografia deveria ser o registro de um momento, mas que hoje em dia montamos um momento pra se ter uma fotografia (ou para ter likes).
O motivo de eu estar falando sobre esse assunto? Não tenho a mínima ideia, era só um dia sem nada pra fazer. Deve ser a febre. Mas se sei lá por qual motivo você se interessou pelo texto e chegou até aqui, um conselho:
Se permita “não fazer nada” as vezes. Curta o rolê sem se importar com quem vai curtir a fotinha depois. E se tiver vontade mande um oi… ou deixa um like mesmo.
Vou lá fazer nada, depois eu volto.
“Somos uma multidão solitária tentando impressionar uns aos outros.”
(Z. Magiezi)