
Cuêi
Coelho que há tempos conheço, que pouco conheço, de piadas espertas e sábios alertas. Coelho lamenta muito da vida, e em nossa última conversa creio ter entendido um dos motivos. Coelho me disse que, assim como eu, havia perdido um grande amor, por isso, me entendia. Mas logo concertou a fala, dizendo que eu ainda não havia perdido, já que ainda tenho mais futuro que passado, havia tempo para reparos. Logo, pensei em dizer, e rapidamente me convenci que dizer não seria nada além de mais um peso dizer que o fato do coelho não pular mais pra frente, que o peso da gravidade e a atual inércia tenham sido pela confissão que havia me feito. Coelho não era feliz pois havia perdido um grande amor, talvez o grande amor, e o amor que veio depois foi pouco pra suportar o peso de viver. Do que adiantava fazê-lo entender isto sem a possibilidade de concerto? Seria apenas tortura. Então, da maneira mais egoísta possível, o agradeci por compartilhar sua dor, e por ter dado vida ao meu grande amor. Do teu exemplo não serei seguidor, seguirei o amor por onde ele for.
