Um escrito para meu melhor amigo

Já são quase duas horas da manhã
E o papai continua estudando
Livros, contos, fichas de clientes… e essa coluna do Portal UAI agora?!

Cansada, a cabeça só flui para um pensamento:
Nessa manhã.
Os corredores do maior shopping da cidade.
Um pai de vinte-e- nove anos — inseguro e apaixonado
Um filho de um ano e oito meses — lindo, de óculos vermelhos
E eu desafiando,
A iluminação de Natal que nos ofuscasse… Que pelo menos tentasse.

Você tem esse poder!
Acho que leva luz e alegria para todo lugar.
É um privilégio — uma delícia — passar as manhãs de segunda e quarta contigo.
Seu sorriso vale cada gota de suor para tê-lo, cada bocado de saliva seca engolida.
Você me traz paz, me afasta do medo.

E quando penso que já não pode ficar melhor
(Segunda-feira foi maravilhosa!)
Você me oferece uma manhã de quarta, como essa de agora.
Conto nos dedos, e não me enche a mão, as palavras que mais gosta:
“Gol, au-au, co-có, ram-ram, cocoto, mamãe, vovô, vovó…”
“Papaiê.”
“Tchau, Papaiê!”
Nossa conversa é antiga, você é meu melhor amigo.
E não há quem não se renda ao vê-la.

Davi, Vida.
Vida, Davi.
Filhote lindo e bolão que é o meu maior sentido.

10/12/2008

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