16.12.14

Eu estava em uma posição confortável naquele dia. Anestesiada depois de tanta surra que eu mesma tinha me dado. “Tinha o ventilador, o balde e ele ao meu lado”. Repetia essa frase pra mim várias vezes, de novo e de novo e de novo. Não sabia qual era o mais triste. O ventilador, que me lembrava que eu tava com frio e que eu não tinha mais como me esquentar; o balde do meu lado direito pronto pra receber qualquer coisa que eu quisesse jogar fora sem a minha vontade e ele, que eu queria abraçar mas meu corpo não conseguia nem se mover, me lembrando que eu não tinha poder nenhum sobre mim perto dele. Eu sou fraca, sei disso. Sei com toda a minha certeza. Eu não sei ser firme perto dele, já disse isso em voz alta pra algumas pessoas. Eu não sei confiar em mim. Eu gritei várias vezes pra ele que eu não confiava nele, que não queria mais aquilo — eu nem consegui denominar o que era. E no fim das contas eu não confio mais é em mim. Eu não tenho noção do que faço quando envolve sentimentos, eu não penso, eu falo uma coisa racional, ajo emocionalmente. Ele tentava me entender do meu lado, eu consegui ver de rabo de olho como ele me olhava no escuro. Eu não me movi. Não era justo. Nem eu estava entendendo o que estava acontecendo, eu só queria sair dali, queria achar que estava segura num quarto, encolhida e assistindo série como eu fiz hoje depois de sair cedo do trabalho pela falta de condição. Acho que posso tirar de toda essa situação, a de me enfiar no chão do banheiro, a de ficar sozinha em um quarto com uma tentação na qual a minha curiosidade e insegurança se esbaldaria mergulhando de cabeça e esparrando tudo pra todos os lados, a de gritar pra ele dizendo umas poucas verdades que nem eu mesma acreditei na hora, que eu consegui assistir o fim dos meus relacionamentos com as pessoas que eu amo ou achava que amava da mesma forma. Não confiando em mim mesma. De camarote. Vendo as coisas desmoronarem e não conseguindo segurar essa onda emocional gigantesca dentro de mim e descobrindo o que eu consideraria sujo em qualquer outra pessoa de modo mais escroto ainda. Nem eu me perdoo. Eu faço isso comigo mesma e ganho a recompensa por isso na mesma hora. Não fiz uma, fiz duas vezes. Pra completar, eu senti necessidade de dizer todas as minhas fraquezas pra ele. Uma atrás da outra. Eu me fiz nua na frente dele e sem pedir permissão. Eu contei pra ele o meu maior medo e veja só. Eu fiz isso a mim mesma. Tinha o ventilador, o balde e ele ao meu lado. E eu descobri quem era, de todos naquele quarto, o mais triste.

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