30.12.12

Me olhou. Eu devolvi. Não bastou muita coisa para o entendimento. Logo estava a encostar teus lábios ao longo do meu corpo inteiro. O espaço ficou cheio. Transbordavam cheiros comuns e estranhos ao mesmo tempo. A fala tava mais automatizada mas não tirou a intensidade do momento. Foi mais confortável assim, sem sentimento concreto. Não havia pudor. Não havia mais brincadeiras entre os beijos. Eu até tentei, mas notei que não tinha mais significado para você também. E aí tornei aquilo só naquilo mesmo. Enquanto ouvíamos o meu nome sendo chamado pela porta trancada, os beijos continuaram. Não me lembro do teu olhar, acho que não quis prestar atenção neles. Não senti um gesto de carinho. Apenas vi vontade, algo que não compreendi. Perguntei “quer que eu pare?” e a única resposta de volta, foi o seu corpo meio desfocado e a voz “melhor voltarmos”. Não me lembro de mais nada. Nem de quem pertencia o rosto. Teve um beijo meio sem vida depois, confirmando o que eu pressentia. E você me disse “até a próxima”. Foi tudo o que eu mereci depois de tentar achar desesperadamente em seu corpo um sentido para aquele tempo todo. Voltei à estaca zero. Viramos zero.