Eu tenho medo constante.

Medo de andar nas ruas e ser assaltada, violada ou assediada.

Tenho medo pelos meus amigos, minha família, meus vizinhos e parentes distantes. Quanto mais falamos de união e compreensão mais violência recebemos.

Então eu continuo a ter medo.

Pelo meu país, que cada vez mais se afunda em corrupção e mentiras tão deslavadas e quase debochadas. Pelos países vizinhos ao meu. Por continentes que estão distantes de nós, mas a dor e a incredualidade são as mesmas. Em qualquer lugar do mundo.

Eu me pergunto se algum dia haverá paz ou se ela é só um mito. Então eu choro, derramo lágrimas sinceras e tristes. Por vidas que perdemos.

Mesmo que seja uma vida que nunca cruzaria a minha, mesmo que não fale minha lingua ou entenda minha cultura. Eu choro pois nada é justo e sinto medo de novo, dessa vez de perder a esperança.

Sinto medo de parar de acreditar — seja no que for — e todas as vidas que se foram perderem o significado, mesmo que a ida delas não tenha justificativa.

Conto até três … cinco … dez. E espero que de alguma maneira meu pesar não seja o único.

Eu peço para uma força maior que amanhã seja melhor, que a dor seja lavada e as mentiras reveladas. Me sinto como uma criança (re) aprendendo a confiar e acreditar.

Para que eu não tenha mais medo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.