23/02
Feb 23, 2017 · 1 min read
Cabe na palavra
Toda em que se fala
Na certeza dúbia
Desta sinfonia
Cabe em toda letra
Cabe o que é isso
Toda bandeira que dou
No dia a dia em que escrevo
Na difícil respiração
E o tempo que foi errado
E que devo te esquecer?
Se cabe no espaço pequeno de dois prédios
Se cabe nos chamegos da manhã
Se cabe no meio de duas sessões de cinema antigo
Se cabe na comida da vovó
Se cabe na ventura desta lida
De ser mãe pai amiga irmão
Cabe no cabimento, enfim,
Da palma da tua mão
Fecha devagarinho, assim,
E, sem fazer barulho, espanta a intensa solidão.
SP. 23/02/2017
©Jean Boëchat
