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Tanta letra na cabeça e tanto verbo no coração. Sou feito de clichês cansados, incapazes de seduzir a minha própria alegria. Resto. Resto do meu retumbante fracasso, que me apaga a voz, me machuca os rins e me congela alma. Tanta palavra nos ouvidos e adjetivos no coração. Queria queimá-las todas. Queria destruir o martelo da madrugada que oprime meus sonhos. Não resta muito. Um anseio de fuga que de forma pueril faz-me acreditar que é possível. Sim, é possível. Como escrever sem olhar. Ler na cegueira. Esforçando a percepção ao máximo. Neste fim não resta muito mesmo. Resto. Para que alguém corte, raspe até os ossos e destrua enfim. Que canseira.
SP. 06/05/2016
©Jean Boëchat