Dandara, menina.

Dandara, menina.

A terra come, a terra vive, a terra dá. O que é do homem, o que é da vida, o que é amar.

Dandara, menina.

Dandara, menina.

O vento é forte, o sangue espesso, a fé capaz. O que se diz, o que se xinga, onde se vá.

Dandara, menina.

Dandara, menina.

A sua história é o que se conta, a mãe que chora, o então penar. A voz das ruas, o que se implora, sapato fino não consegue, neste chão um caminhar.

Pois tem:

O medo. O soco.

A pausa. A bala.

Escárnio, ofensa.

A violência, em pleno dia, que ninguém vai comentar.

Dandara, menina.

Dandara, menina.

A noite agita, o tempo escorre,

Outra cantiga é só verdade.

Na vida curta, um só carinho, que se tem pra te ninar.

~ boi, boi, boi. boi da cara preta, não pega essa menina que tem medo de careta ~

SP. 16/03/2017

©Jean Boëchat

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