Sobre protagonismo

Janaína Almeida
Sep 2, 2018 · 3 min read

e os aprendizados de quem está aprendendo a andar de bike

Protagonismo. Já perdi as contas de quantas vezes usei essa palavra sem muito refletir sobre ela. Assim como empoderamento, que acabo de descobrir ter um significado um pouco diferente de como eu costumava aplicar. O fato é: o que é realmente ser um protagonista?

Nos filmes, novelas e livros, o protagonista é aquele que faz e acontece, é o centro da história, o personagem que realmente importa, aquele que, por mais que passe por poucas e boas, vai vencer e, dificilmente, vai morrer. Caso contrário, a história perderia sentido, perderia a graça.

Dentro dessa lógica, parece meio óbvio que em nossas vidas pessoais o protagonismo seja nosso. Mas, será que é tão óbvio assim? Será que realmente assumimos esse papel de personagem principal, ditamos o ritmo, nos colocamos no centro?

Sinto que, muitas vezes, não é isso que acontece. Eu que, às vezes, me considero meio morna, tendo a seguir o fluxo dos acontecimentos, seguir na direção que a onda me levar. Tipo quando estamos aprendendo a andar de bicicleta e ainda não conseguimos controlar muito bem a direção. Intencionamos fazer um caminho mas, em algum momento, desequilibramos. Pra não cair ou parar, seguimos em frente fingindo que nada aconteceu. Mas, o caminho mudou.

Penso: que mal poderia ter? Estou apenas confiando no processo, aceitando e me adaptando à impermanência da vida. Pois é, só que estou começando a perceber que, por mais legal que seja seguir o flow, nem sempre essa postura é a mais interessante a se praticar. Afinal, enquanto estamos aprendendo em um lugar seguro e tranquilo, tudo bem. Mas, o que aconteceria se estivesse no trânsito e não conseguisse controlar a bike?

Ainda acredito que sim, ter essa malemolência na vida é realmente bom e, por muitas vezes, importante. A questão é que isso não pode virar a regra. Se assim for, podemos nos perceber em uma vida sem graça, sem sabor, sem vida, onde todos os dias são mais do mesmo. E, o grande perigo de viver assim, é que em determinados momentos podemos abrir espaço para que outras pessoas assumam o protagonismo de uma vida que não é delas, mas sim nossa.

Me pergunto o quanto a depressão se relaciona com essa dinâmica. Não sei se como causa ou efeito ou mesmo nenhum dos dois. As pessoas perdem seu protagonismo e os efeitos disso as tornam deprimidas ou elas têm depressão e, como consequência, perdem seu protagonismo? Enfim, não vou entrar nesse mérito, até porque não tenho conhecimento de causa pra falar sobre o assunto.

A grande questão é: quais são os efeitos de assumir de fato o papel de protagonista nas nossas vidas? O que acontece se eu me coloco no centro do meu universo e passo a fazer escolhas que têm como foco principal atender as minhas necessidades, os meus desejos, os meus sonhos? O quão poderoso esse processo pode ser? O quão poderosos podemos nos tornar?

Confesso que ainda não vivi esse processo de todo o meu coração, mas estou disposta a fazê-lo. Estou disposta a olhar para a minha história enquanto ela se constrói e me perguntar: sendo essa a minha história, qual rumo eu quero dar pra ela? Quais escolhas eu faço hoje que me fazem sentir vida? Que me fazem pulsar? Que fazem eu ter certeza de que essa é uma história que eu gostaria de contar? E, talvez, mais importante ainda, que me fazem ter certeza de que essa é uma história que merece ser vivida?

Uma vez ouvi em uma palestra que se a nossa vida é uma viagem, deveríamos ser o comandante do avião. Na cabine, junto com a gente, ficam as pessoas que nos influenciam em nossas decisões, nós permitimos que elas estejam ali. Nós precisamos dessas pessoas porque, às vezes, é importante dar um tempo e, quando isso acontecer, precisamos de ter pessoas de confiança para guiar a nossa viagem como gostaríamos. Mas, nesse lugar, não deve entrar ninguém que não permitimos, porque quem deve comandar esse avião somos nós. Então, a pergunta que fica é: estamos prontos para assumir esse comando? Se não, o que está nos impedindo? Se sim, então, o que estamos esperando?