Já estou mudando de carreira, e agora?

Eu já estou em processo de mudar de carreira, mas estou enfrentando muitas dificuldades pelo caminho. O universo tende a entropia e eu tendo que ter resiliência. Ou seja, o universo tende a voltar ao caos e eu tendo que voltar ao normal no meio de tanta tensão. Lembro de Buda:

“A origem do sofrimento é ansiar que a vida seja diferente do que ela é.”

E pior do que isso, quanto mais você não quer o sofrimento, mais ele aumenta. Isso só piora minha sensação de desconforto, afinal reforça o que já sei, que minha vida não é como eu gostaria que fosse, não consigo desfocar do meu sofrimento e por isso ele só aumenta.

Quero uma solução rápida para sair logo dessa situação estressante. Encontro uma e tento adotá-la, mas geralmente soluções rápidas não são adequadas ao problema e não o resolvem de fato, porque atuam nos sintomas e não nas suas causas.

E agora?

Você se identificou com essa situação? Qual a sua reação típica quando as coisas não ocorrem como planejado?

Cada pessoa reage de um jeito. Eu por exemplo tendo a ficar ruminando os pensamentos negativos e não sair do lugar. Travo mesmo. Outras pessoas quando algo dá errado já imaginam logo o pior cenário, que tudo mais não vai dar certo e elas não atingirão seus objetivos. Há aqueles que ficam imaginando se as coisas tivessem sido diferentes do que de fato aconteceu: é a turma do “e se…” Outras ainda começam a culpar os outros pelo que deu errado com elas. E outras se sentem vítimas da vida e têm pena de si mesmas por tudo que lhes acontece. Mas antes que você comece a julgar, todos nós temos todas essas reações em situações diferentes. E se você não lembra é justamente porque fazemos isso sem perceber. O primeiro passo é se dar conta de como você reage quando isso acontece, e começar a se perceber na hora em que está agindo dessa forma.

Uma vez que você percebeu como reage diante de situações estressantes, o próximo passo é encontrar estratégias melhores para lidar com elas. Fico sempre buscando formas de manter a sanidade nessa doideira que é mudar de carreira no meio do caminho, e aqui vou trazer algumas delas.

Percebo claramente em mim mesma que tendo a reagir diferente à mesma situação se estou de bom ou de mau humor. Isso porque o humor muda nosso nível de resiliência. Já comentei em outros posts que ao longo da minha transição sempre tenho em mente a pergunta: Como posso tornar isso mais tranquilo? E mais divertido? “Isso” pode ser uma situação chata específica ou toda uma mudança de carreira.

Sempre fui uma pessoa que tentei me prevenir muito para que nunca nada saísse fora do planejado, mas ficava muito irritada quando as coisas davam errado. Outro dia ouvi que pessoas que fazem algum tipo de sacrifício todos os dias, mesmo sem crise, se saem melhor em momentos de crise. O ideal é sair da nossa zona de conforto voluntariamente, um pouco e todos os dias, para que tenhamos mais recursos internos para agir quando a vida nos obrigar a faze-lo.

Conviver com pessoas que tendem a catastrofizar nos influencia a seguir pelo mesmo caminho. Por outro lado, procurar criar uma rede de apoio que possa nos ajudar a resolver os problemas ajuda muito, principalmente pessoas que já passaram pelo mesmo problema. Em minha mudança de carreira isso me ajudou a cortar caminhos, aprendendo com quem já tinha feito ou estava fazendo também uma transição.

“Passei por coisas terríveis em minha vida, e algumas delas de fato ocorreram.”

Sempre dou risada de mim mesma quando lembro da frase de Mark Twain porque lembro que morro de medo de andar de avião. Isso foi um problema sério quando fiz a ponte aérea Rio-São Paulo toda semana por dois períodos da minha vida, ou quando fiz uma viagem de 20 horas para outro país. Não durmo direito na noite anterior, fico tremendo, suo frio, não consigo pensar em mais nada. Uma força aperta o pause da minha vida desde a noite anterior e só aperta o play quando estou em terra novamente. Mas eu ainda não morri em um desastre de avião. Nossa capacidade de aumentar os problemas também influencia como lidamos com eles. Voltando para o nosso tema da mudança de carreira, adotar uma visão de perspectiva e lembrar que a vida é muito maior do que os problemas pode ajudar nessa hora. Se a gente parar pra pensar em quanto tempo vamos demorar para nos recuperarmos se tudo der errado, muitas vezes vamos perceber que nem é tanto tempo assim e que não é o fim do mundo se isso acontecer.

Não gosto muito das ideias de pensamento positivo e negativo. Ambos vêm de crenças, e crenças são suposições que fazemos sobre nós mesmos, os outros e o mundo à nossa volta: são generalizações que podem ser ou não verdade. Uma alternativa para esses pensamentos é a mentalidade de crescimento, que propõe não ser positivo nem negativo. Ela nos ensina a ver os desafios futuros como aprendizados em vez de sucessos ou fracassos. Isso tira um peso enorme das nossas costas. Por exemplo, em uma mentalidade positiva ou negativa o sucesso é como você se valida, mas na mentalidade de crescimento significa que você foi testado. Da mesma forma, a primeira pressupõe que fracasso é algo ruim, enquanto a segunda sugere que é mais uma oportunidade de aprendizado.

Basicamente as ferramentas que podem nos ajudar a ter mais resiliência diante dos problemas da mudança de carreira podem ser divididas em 4 tipos:

· Quais são seus pontos fortes para resolver o problema? Por exemplo coragem, humildade, energia.

· Quais estratégias você pode usar? Pedir ajuda, fazer coaching, procurar pessoas que já passaram pela mesma coisa.

· Quais recursos você tem? Parentes, formação, livros, redes de apoio.

· Quais insights podem te ajudar? Ideias que você teve, ouviu outras pessoas ou leu na internet.

Tente responder essas questões para um problema que esteja atrapalhando a sua transição nesse momento. Se faltarem ideias para alguma resposta, pense em como você responderia a mesma pergunta em situações do passado que já superou. Isso também pode ajudar a identificar o que te falta para resolver melhor os problemas, por exemplo você pode perceber que tem poucas estratégias e a partir disso pensar em como consegui-las.

Percebo que a crise já me levou algumas vezes até mudanças para melhor em minha vida. Quando me formei na faculdade vivia o momento financeiramente e emocionalmente mais difícil da minha vida, mas isso me deu ainda mais forças para tentar um programa de trainee que era meu sonho na época. Consegui entrar em um programa bastante concorrido e isso me trouxe para São Paulo, algo que nem imaginava que poderia acontecer. Talvez em condições de vida melhores eu não teria a força necessária para buscar essa conquista que mudou toda a minha trajetória.

Diante de uma crise, podemos mais do que voltar ao estado inicial, podemos sair ainda mais fortes.

Esse post foi escrito a partir das minhas próprias experiências e da aula “Como ter mais resiliência”, ministrada pela The School of Life em São Paulo — SP, da qual participei em um momento que eu precisava ter mais resiliência para lidar com minha própria mudança de carreira. Hoje sou coach de carreira e ajudo pessoas a encontrarem soluções para os desafios da transição. Você pode conhecer melhor meu trabalho pelo meu site e pela página no Facebook.

Me chamo Janaína Paula e sou Coach de Carreira, Life Coach e Professional Coach pelo ICI — Integrated Coaching Institute. Diversos cursos nas áreas de Finanças Pessoais e Empreendedorismo.
Isso tudo começou quando eu trabalhei (por 7 anos!) em uma empresa de consultoria, e depois de ver muita, muita gente (e bota gente nisso!), de todas as formações, níveis hierárquicos e em todos os tipos de empresas, que não aguentava mais trabalhar só pelo dinheiro mas que não sabia o que fazer, ou até sabia mas não tinha coragem de mudar, desenvolvi uma metodologia utilizando conhecimentos de psicologia positiva, coaching, Business Model, gestão de projetos e empreendedorismo para ajudar pessoas a reencontrarem seu caminho. Também sou meia maratonista, faixa verde de krav maga e mãe de uma shitzu de olhar lânguido e dissimulado chamada Capitu.