Dia dos Professores

Para falar sobre o Dia do Professor, eu posso te contar sobre as primeiras aulas que dei em um cursinho em Campinas. Eu achava a turma grande, e tinha medo de não saber responder a uma dúvida.

Eu posso também te contar sobre as primeiras aulas no Colégio Anglo Brasileiro, de Salvador, espaço que me acolheu assim que me mudei para a Bahia. Eu tinha um aluno, logo no primeiro ano, que era muito inteligente. E eu tinha medo de desapontá-lo. Eu tinha medo de errar, de mostrar algo que não sabia.

Aos poucos, fui me desfazendo desse terrível estereótipo de que o professor sabe tudo, não pode falhar, não pode se dar ao luxo de dizer “terei que pesquisar”. E este aluno, hoje, eu o acompanho pelo Face, em suas viagens e estudos pela França. Sinto uma grande alegria ao vê-lo desbravando o mundão, tendo se tornado um adulto com ideias bacanudas.

Posso também te contar da minha alegria em ver meus alunos dos tempos do SENAI aprendendo coisas novas, falando inglês fluente a partir de um projeto especialíssimo oferecido pelo SENAI, uns indo para o exterior estudar, outros já desenvolvendo suas profissões em Salvador — após a formação em um curso técnico ou como estagiários durante a Faculdade.

Este é o lado da alegria de ser professor.

Mas eu também posso te contar dos 18 reais por hora que uma grande faculdade de Salvador queria me pagar — desesperada que estava ela por um professor doutor em Linguística. Tão envergonhada ficou a professora em me mostrar o valor que, ao invés de dizê-lo, escreveu em um papel e me passou na mesa.

Posso te contar do aluno que correu atrás de mim porque eu o peguei colando, ou da aluna que disse que eu estava destruindo o sonho dela por estar mantendo sua reprovação no curso. Ela teria o FIES cancelado caso eu a reprovasse.

Ao ler o texto de uma grande amiga e também de seu companheiro, dei-me conta da pergunta: o que é a profissão professor? Quem é o professor que você parabeniza? Quais as políticas voltadas para pensar sua profissão? São aquelas feitas por quem pensa que os professores vivem de regalias? O professor é aquele que rebola de lá pra cá porque tem de dar explicações aos pais mesmo quando todos sabem que o aluno não está interessado e é desrespeitoso? Ou é aquele que dá aulas em faculdades que lotam salas e impedem um bom desenvolvimento do trabalho do professor? Aquele que se formou, mas, mesmo assim, tem grandes deficiências naquilo que ensina? Aquele que não é convidado para discutir reformar?

Fica aí pra você esse monte de perguntas. Outras tantas poderiam vir.

De minha parte, digo a você que exerço hoje a profissão num espaço muito bonito, o Prevest — Voluntários pela Educação. Não tenho mais medo de dizer o que não sei, de buscar informações na internet durante a aula. Eu me divirto em sala, em especial porque aprendi, ao longo da vida, a olhar nos olhos dos meus alunos e aprender intensamente com eles. E busco, incessantemente, oferecer a eles conteúdo que faça sentido para eles. Não para o vestibular ou para o ENEM, mas também para a vida. Sim, este clichezão. E sou feliz por poder fazer parte da vida deles, de todos eles. Mesmo quando é só pelo Facebook.

Mas, para que você não se esqueça: os professores não devem ser considerados heróis, mas profissionais fundamentais, como os outros. Observe a estrutura, o salário, o tratamento que eles recebem. E busque mudar esta situação nos lugares em que o respeito e a valorização faltam. Não tenha dúvida: são muitos estes lugares.

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