Sentidos.

Até o cego te convenceu que não era cego. Mesmo sem te olhar fixamente, ele recitava curtos poemas que dizia combinar com a cor negra de teus cabelos claros.

Até o surdo te convenceu que ouvia seus cantos de fim de tarde, aplaudia sua performance e dançava suas melodias sob um réstia de luz.

Nos braços de quem não te tocava, você se aconchegava e parecia se enrolar. Fazendo uma cara de que nunca havia sido melhor acariciada, seu desejo parecia nunca acabar.

Nos lábios de quem não te beijava você sempre invocava um gosto de quero mais.

E eu, que sempre te avisava, e não entendia nada, quando te vi alí, parada, percebi que sempre fui eu a nunca entender que tudo o que você fez foi tentar me convencer.

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