Os políticos que não amavam seu povo

Em uma das cenas do filme “Os homens que não amavam as mulheres”, baseado na obra do jornalista sueco Stieg Larsson, o serial killer oferece um copo d’água para uma vítima que descobriu seu segredo e cujo fim é um tanto óbvio. Depois que a vítima bebe a água, o serial killer explica como repetiu aquele mesmo processo com todas as demais, hoje mortas. O interessante, ele conta, é que com esse gesto elas acreditavam que o assasino demonstrava alguma bondade, humanidade; quem sabe não as libertaria? Mas, não, seu destino estava selado. Ele diz que as vítimas deveriam acreditar mais em seus instintos e não em meros atos que visam tão somente distrair.

Acho a cena muito didática e, não raras vezes, vi similares na realidade. Um cão todo o tempo açoitado por vezes se rende a um afago do seu algoz apenas para ser escurraçado logo em seguida. E quantas mulheres são vítimas recorrentes da violência física e psicológica de seus parceiros, mas não conseguem se livrar da situação porque em um momento de trégua ele lhes traz flores ? Também não posso deixar de associar o caso ao cenário político: uma noite, muitos eram os inimigos: a Globo, a Folha e os políticos; ao raiar do dia, quando esses mesmos meios parecem mostrar um pouco de sensibilidade, isenção, todo o povo cai em tentação, acredita em redenção… poucos são os que desconfiam da nobre atitude desses que, até ontem, só souberam se aproveitar de nossas fraquezas.

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