Crônica da Saúde: Ano novo, Vacina nova!

Todos os anos, nesta época, a história é a mesma! O outono chega a Brasília e, principalmente depois do dia 10 de maio, o frio começa a se fazer mais presente. A mudança de temperatura atinge algumas pessoas mais vulneráveis a resfriados e gripes. E é nesse período que chamo meu avô, popularmente conhecido como Seu Gerardo, para ir ao posto tomar a vacina contra a gripe e ele se recusa terminantemente a me acompanhar.

“Estou bem, não estou sentindo nada. Para que eu vou tomar uma vacina? Depois de tomar ela, aí sim que vou ficar gripado”, é a resposta tradicional de todos os anos. Começo a acreditar que algum dia ele realmente ficou mais indisposto depois de tomar a vacina e acha que todos os anos serão assim, apesar de não ser.

Não adianta nem minha avó Haydée insistir com ele. Sempre que começa a campanha de vacinação, ela é uma das primeiras a aparecer no posto e ficar livre de preocupações. Mas Seu Gerardo às vezes é teimoso demais e vive lembrando de que quando era marinheiro passava anos sem pegar um “mísero resfriado”. Mas ele esquece que algumas coisas mudam, como o corpo humano… e os vírus.

Essas coisinhas microscópicas são agentes infecciosos, que não possuem metabolismo independente, e por isso mesmo precisam de células vivas para se hospedar. Encurtando a história: nosso corpo serve de boa casa para eles.

E não é apenas isso! Os vírus têm a incrível capacidade de evoluir e mudar, ou seja, se nesse ano temos uma vacina que combate muito bem determinado tipo de vírus, no ano seguinte é possível que aquele vírus tenha se modificado, se tornando mais difícil de detectar ou tratar, e já não possa ser combatido da mesma forma, e ai necessitamos elaborar uma nova vacina.

Então assim como meu avô não tem mais a “força de touro, que carregava equipamentos de navio o dia todo”, o vírus que circulava no ano passado por aqui no Brasil, não reage da mesma maneira à vacina. Lá fui eu sentar com ele e explicar que é melhor tomar uma agulhada rápida e gratuita para ficar protegido, do que ter o azar de ficar gripado e isso evoluir para algo pior.

Mas como todos os anos, a conversa inicia em uma breve falta de vontade em ir ao posto de saúde e termina com uma visita à unidade — que, diga-se de passagem, fica ali pertinho da casa dele. Para os curiosos, Seu Gerardo deu a volta ao mundo duas vezes com o Navio Escola Almirante Saldanha da Marinha brasileira.

Por Janary Damacena

A crônica foi escrita a pedido da Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde, e publicada no Integra MS que é a intranet do órgão — para abordar a importância da Campanha de Vacinação contra Gripe.