A Rudez aos Trenzinhos na Periferia de Fortaleza

A cultura dos trenzinhos no Brasil foi estabelecida há muito tempo atrás, em alguns lugares como Ribeirão Preto esse fenômeno é parte do folclore local. Depois que o trenzinho Carreta Furacão™ viralizou na rede mundial de computadores, essa cultura foi reavivada no resto do país. E claro que uma das maiores metrópoles do nordeste, Fortaleza, não ficaria de fora, porém se tratando da região do semiárido, as coisas ficam em um tom mais colérico.

Dito isso vamos aos fatos. Seria só mais uma terça-feira em que meu pai e eu iriamos comprar os famigerados e nocivos “salgadoces”, no entanto algo atípico ocorre, vejo com meus olhos astigmaticos um trenzinho sendo conduzido por uma Kombi, depois de gostosas gargalhadas causadas por uma das frases mais disferidas pelo meu pai “favela é um negócio sem lei, viu!”, torno a forçar a visão para enxergar mais a frente e com dificuldades vejo um outro elemento atípico, uma blitz, especulamos com sorrisos sádicos se o trenzinho seguiria rumo à blitz ou pararia antes, parou antes, justamente na praça onde sempre comprávamos os tais produtos. Como sempre meu pai foi à lanchonete e eu fiquei no carro, dessa vez de olhos vidrados para tentar identificar quem eram os personagens em meio a multidão pueril que descia desapontada do trenzinho, eis que reconheço dois: a Galinha Pintadinha e o Cebolinha, e resolvi me concentrar nesses dois que estavam sentados tristonhos, tal qual um personagem loiro de um famoso desenho japones.

Sadness and Sorrow.mp3

Repentinamente a praça é invadida por outras crianças tão enérgicas e agitadas que eu fiquei com medo de levar uma pedrada(tenha sempre em mente que aqui é Capão Redondo, truta, e não Pokémon). Eles só poderiam ser representados fisicamente e espiritualmente por esse gif.

A horda de pequenos bárbaros se empurravam e davam mortais entre si, até que um deles teve o momento de ‘’Searching, seek and destroy’’. Vendo aquela cena eu já conseguia maquinar quem seria o alvo. Em fila eles foram chegando paulatinamente, sem que a frágil e melancólica galinha percebesse, eis que o maior da turma desfere o famoso Tapão™ que de tão forte a cabeça da galinha gira e imediatamente, o cara que vestia o traje fica de pé desesperado tentando colocar a cabeça no lugar para saber o que tinha acontecido, enquanto isso a manada infante corre urrando pela praça com movimentos de esquiva aguçadíssimos, que mais uma vez só podem ser expressados por um gif.

Depois do atentado todos os integrantes do trenzinho estavam em alerta, mas embasbacados com a hostilidade do ataque não percebem que a corja de pequenos sertanejos se aproximava pelas costas do Cascão, que foi avisado pelo Cebolinha segundos antes de receber um ataque, e por sorte conseguiu evitar dando um chute no ar que espantou os meninos.

Bastante sintomático, tais Cenas Lamentáveis™ acontecerem na segunda cidade mais violenta do país, onde a bestialidade ser tornou tão cotidiana a ponto de personagens folclóricos que em outros locais são tidos como heróis serem hostilizados pelo seu publico alvo. Apenas uma frase expressa a circunstância atual “Eita Brasilzão sem Porteira”.

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