Entrevista jornal Extra

Em entrevista publicada nessa terça-feira, 13, no Jornal Extra, Jandira defende o debate de gênero, de homofobia e de transfobia (preconceito contra transexuais) nas escolas. Confira na íntegra:

Jandira Feghali (PCdoB) é a voz que nacionaliza o debate na disputa pela Prefeitura do Rio. Aliada do PT, acusa Pedro Paulo (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) de traição por terem sido apoiados pelo governo federal, e, depois, votarem no impeachment de Dilma.

EXTRA: Qual a sua avaliação do governo Eduardo Paes em relação à área de Educação?

JANDIRA: O mínimo constitucional exige 25% para a Educação. Em 2015, o governo Paes investiu 21%. Imagina 4% de um orçamento de R$ 20 bilhões. Isso é quase R$ 1 bilhão que poderia ser usado na infraestrutura das escolas, no conserto de rachaduras, em ar-condicionado, em questões estruturais. São oito anos de governo. E temos déficit elevado de creches. Este dinheiro não aplicado poderia ter construído creches e melhorado estrutura das escolas.

EXTRA: E o horário integral?

JANDIRA: O prefeito reduziu, segundo o Tribunal de Contas do Município, de R$ 36 mil para R$ 16 mil a verba da manutenção por escola. E não é verdade que temos horário integral. Há um turno único ampliado. Temos 1.500 escolas em que o horário integral é absolutamente residual. A minha referência neste campo se chama Brizola. Ele, sim, fez uma escola em tempo integral de verdade, uma escola aberta à comunidade.

EXTRA: No governo da senhora, haverá espaço para debate de gênero, homofobia e transfobia?

Jandira rodeada de feministas em ato no centro do Rio de Janeiro

JANDIRA: Total. Para formar uma criança cidadã, ela tem que conviver e valorizar a diferença, para não ser violenta com as mulheres nem com as gerações homoafetivas. Isso é uma discussão para a escola. E é fundamental fazer isso integrando a família. Porque tem família que não compreende seu filho homossexual ou coloca para fora uma menina que engravidou.

EXTRA: A senhora tem um forte discurso feminista e é apoiada por grupos que defendem esta causa. Como uma prefeita pode contribuir para a redução do machismo?

JANDIRA: Uma das dimensões do nosso programa de governo é dar transversalidade à questão de gênero. Então, olhar para a mulher no mercado de trabalho, na Saúde, na mobilidade urbana. Vou copiar uma decisão de São Paulo, do prefeito Fernando Haddad (PT), que é fazer com que o ônibus, depois de 22h, pare onde a mulher precisa, e, não, no ponto de ônibus. É um olhar especial para as mulheres. Há que se trabalhar nas escolas, nos meios de comunicação, com campanhas, e em outros espaços, para gerar respeito e igualdade na questão de gênero.

EXTRA: Na campanha, a senhora tem nacionalizado o debate, trazendo à tona o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. Esta postura é uma posição como deputada ou a senhora acha que pode trazer votos?

JANDIRA: É uma posição clara da defesa da democracia. Nós sempre tivemos lado. Diferentemente do Pedro Paulo (PMDB) e do Crivella (PRB), que traíram aqueles que os sustentaram. O Crivella foi apoiado pelo Lula para se eleger senador, foi ministro da Dilma até o último dia e foi lá votar contra ela. E o Pedro Paulo também. A questão democrática e a lealdade política são decisivas. Como você confia num prefeito que trai no dia seguinte, pela popularidade, uma pessoa que o ajudou? O prefeito que trai o aliado vai trair o eleitor também.

EXTRA: Quem a senhora gostaria de enfrentar no segundo turno?

JANDIRA: Eu enfrento qualquer um. Se eu chegar no segundo turno, ninguém tira essa eleição da gente. Sem nenhuma arrogância. Estamos num momento de crescimento da militância. Perdemos o controle da campanha. A melhor coisa é perder o controle dela. Você chega num lugar e tem um monte de gente que você não conhece fazendo sua campanha. Ela cresceu.

EXTRA: A senhora foi secretária de Cultura de Eduardo Paes. Como foi trabalhar com ele?

JANDIRA: Participei um ano e três meses, no início do governo. Ali era um momento de muita novidade. Eu consegui trabalhar sem restrição e fazer muita coisa. E acho que o governo foi piorando muito — na falta de diálogo, numa concepção se explicitando elitista e não popular, de não fazer aquilo que foi dito no início sobre adensar a população no Centro. A aliança com o Eduardo Paes foi um pedágio nacional que nós pagamos para sustentar um projeto maior, que era Lula e Dilma. Eu fui candidata em 2008, não fui para o segundo turno e escolhemos o campo Lula.

EXTRA: A senhora tem planos para uma estrutura específica para lidar com questões sobre favela. Seria uma secretaria?

Debate na Associação dos Moradores do Vidigal debateu as propostas da candidata para a favela e a criação de uma coordenação específica para tratar do tema.

JANDIRA: Vamos criar uma estrutura para coordenar a integração das políticas na favela. Uma secretaria ou uma estrutura ligada diretamente ao gabinete, com poder sobre as outras secretarias. Às vezes, um secretário tem o mesmo poder que o outro. Como a favela vai ter muita prioridade na nossa gestão, precisa ter uma coordenadoria, para ter uma política integrada com várias secretarias. E com alguém que conheça a favela, que seja do mundo dela. Mas não tenho um nome ainda.

EXTRA: O que acha do modelo de Organização Social (OS) gerindo unidades de saúde?

JANDIRA: Ruim. Ele não vincula o profissional ao serviço público, porque não tem carreira, não tem estímulo. E a rotatividade é muito grande. E há algo que a gente precisa auditar, que são algumas denúncias de superfaturamento destas OSs. O dinheiro que pago à OS posso aplicar no comando público. Na nossa gestão, nós não queremos dar continuidade ao modelo de OSs.