A beleza do triste e a tristeza do belo
Sou eu, a contemplar a tristeza do belo
E a me encantar com a beleza do triste
Sou eu, a rir entre lágrimas
A chorar a alegria passada
Sou eu, na calmaria nostálgica
Antecipando o desespero da partida
Sem saber se já cheguei
Sim, sou eu ganhando e perdendo
Não ganhando e não perdendo
Sim, sou eu queimando em chama baixa
Me afogando onde dá pé
Sou eu, na presença e na ausência
Morrendo onde há vida
E vivendo onde o tempo para
Sou eu, a esperar pelo fim
Eternizando o que não queria começar
Sou eu, o ateu a cantar louvores
o boneco de neve ansiando pelo verão
Sou eu, tocando meu rosto
Com as mãos de outro
A olhar no fundo de olhos etéreos
Sim, sou eu, a poesia sem métrica e sem rima
o amador profissional
Sim, sou eu, que não acredita em destino
Consultando um oráculo
Sim, sou eu, sem expectativas de voltar
Esperando do Universo
um sinal para ficar