GENÉTICA: DO PÓ AO PÓ — E A ALMA?

Janaína Sícari
Jul 27, 2017 · 2 min read

Vão ao diabo com a genética!

Meu corpo só herdou a atlética.

Ouça: minha alma é o que fiz de mim.

Não sou o que o passado pensa,

não herdei nenhuma tristeza sem fim.

Tenho eu mesma uma história imensa.

A depressão não vem no sangue.

Minha vida não é um mangue

onde a família guarda o que não presta

pro mar ser limpo e eu a aresta.

Eu sou a âncora lúcida

minha ideia é translúcida:

sirvo de apoio incontestável,

mas minha sanidade não é maleável.

Não ponho meu bem estar em jogo

porque minha alma arde como fogo.

A genética ao pó com a minha carne

e que vá com ela também o escarne,

porque a alma sempre renasce.

Ela não deixa que o momento passe:

no fogo ela lampeja e chamusca

apenas para iluminar minha busca

e então renasce rapidamente, brusca.

Dizendo que ainda está aqui dentro

e que a minha felicidade é o centro.

Que a alegria tem de ser a regra.

E com a herança ela se integra.

Do pó, fazendo lama.

Da lama, criando alguém que ama.

E o amor sendo o sentimento

que me invade o coração num rebento,

sei que o vazio não pode me alcançar

e nem em mil gerações vou cansar

desse poder estranho de amansar

o coração dela em brasa

fazendo do meu amor sua casa.

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