A leitura das palavras nem sempre reluz o reflexo da alma

Nessa cultura de tomar parte da vida alheia, ficamos sempre atentos e numa falsa preocupação sobre como anda a vida dos outros, que acabamos por confundir as coisas, criando situações embaraçosas.

Eu lembro de uma vez em que publiquei um texto no tumblr onde eu mencionava que estava prestes a dar à luz, mas aquilo se referia a dar à luz da minha essência, falava sobre parir o que havia de belo em minha alma, mas claro que ninguém procurou entender do que se tratava ou ao menos buscar outras formas de interpretação, e choveu mensagens de pessoas me perguntando se eu estava grávida.

Quando em outra, escrevi sobre uma leoa abandonar o leão, enquanto levava seu bebê no ventre, sem o leão saber. Mais uma vez eu estava grávida da web. O engraçado era que até meu namorado da época veio me questionar se eu estava grávida dele e estava escondendo, já que o texto retratava exatamente nossa situação em brigas.

No fim das contas eu nunca estive grávida. As pessoas têm uma mania de associar as coisas que são compartilhadas na internet, com o real estado das pessoas. Ok que ás vezes a internet é um grande palco de desabafo, mas na maioria das vezes ela também é um subterfúgio para expor qualquer coisa que nos passe na mente, sendo isso real ou não. Bom, o que eu quero dizer é que, se eu compartilho algo de teor depressivo, não necessariamente significa que eu esteja na bad, se eu compartilho uma música de solteirice não significa que terminei o namoro (ele vai bem, obrigado), e por aí vai. Ás vezes a gente só gostou do texto, achou tocante ou sei lá qualquer coisa…

Nessa era digital está cada vez mais complicado expressar gostos ou satisfação, sem que deixemos uma lacuna para interpretações mal feitas.

O que é uma pena, porque isso nunca vai deixar de acontecer.

Janine Costa

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