Início de ano é sempre a mesma ladainha: fazer planos, estudar mais, trabalhar menos, ler mais, comer menos e emagrecer os quilos adquiridos ao longo do ano que se passou, assistir mais filmes, praticar mais atividade física, amar mais, brigar menos, julgar menos, falar menos, ouvir mais e reclamar menos… eu acho que a lista de planos é enorme, infelizmente nem todos conseguem realizar tudo como planejado, em todas as áreas da vida.

Quando encerramos o ano, é hora de colocar tudo na balança e analizar o que foi realizado e o que estamos procrastinando.

No final de 2014, eu não tinha uma visão muito clara de como seria o meu novo ano, acho que poucas pessoas tem. Estava voltando de férias e em vias de perder um emprego, que confesso, estava muito descontente com a situação. Era hora de mudar!

Iniciei uma nova faculdade e esperava trabalhar muito, tentei, mas não aconteceu como gostaria.

Depois de quase vinte anos de relacionamento, eu e o Agui resolvemos oficializar nossa união, sem festa, mas com muito amor.

Iniciamos o projeto do Pé nas Nuvens, a ideia era de ser mais do que um site de viagens, queriamos e ainda queremos colocar na internet as nossas histórias de viagens, contando os perrengues, compartilhando dicas e momentos de felicidade.

Até junho, pouca coisa concreta, apenas estudando e driblando a crise com trampos de freela (muito pouco, por sinal).

A alimentação era um lixo desde a hora que acordava até a hora de ir dormir. Em muitos dias da semana era, pizza, pão, lance, doces e bolos. E em outros dias, uma alimentação saudável, pois batia a culpa e o corpo reclamava. O dinheiro que poderia ser usado para comer bem, usávamos para comer na rua. Falei no plural pois não estava sozinha nessa brincadeira, o maridão ia junto e mesmo ele sendo magro, a saúde não ia bem. Ele era meu parceiro na hora de devorar os pacotes de bolacha recheada, beber refrigerantes e comer pizza com cerveja durante a semana.

A balança marcava quase 70 quilos, um percentual de gordura de 33.2%. Era dia 01/06/2015, no dia internacional da dieta, uma segunda-feira. Não podia mais adiar, minhas roupas não serviam mais, meu corpo não estava funcionando como deveria, minha auto estima estava no chão, sem trabalho, mesmo praticando muito exercícios fisicos como bike e corrida, ainda estava comendo mais do que gastava, resolvi mudar, tirando TUDO o que me fazia mal, como dizia uma tia: “ah, mas você tirou tudo que é gostoso”.

Comecei a ler e me basear em diversos artigos científicos e nos estudos do Dr. Carlos Souto, iniciei a dieta LCHF (low carb high fat), que consiste em baixa ingestão de carboidratos e alto em gorduras boas. Eu ainda não comia carne, estava inchada viciada em refinados e açucar, era um desafio tirar tudo e comer comida de verdade.

Com muito foco, ajuda e lendo muito a respeito de nutrição, mudei o meu comportamento diante daquela alimentação pobre em nutrientes e que estava sobrecarregando, sem eu saber, o meu fígado, o meu pâncreas e com sério risco de desenvolver Diabetes tipo II. Mudei a minha visão de tudo que ouvia até então, de comer de 3 em 3 horas, não comer gordura, usar óleos de canola/ girassol, comer tudo light/ diet, usar margarina Becel ao invés da boa e velha manteiga, ou fazer lanches com pão integral e com peito de peru, de novo, tudo balela. Nada disso fazia mais sentido, depois de entender pelo menos um pouco sobre como funciona o nosso corpo, e isso poucos médicos sabem, é preciso questioná-los, e quase sempre isso é impraticável de se fazer em consultório em uma consulta de rotina.

Comecei pelo café da manhã, mudando o pão por uma omelete muito mais saborosa e que me saciava por horas, no café sem açúcar colocava uma colher de nata ou óleo de coco, meu almoço era e ainda é composta por vegetais, peixe, carnes, ovos e muita salada. Foram muitas semanas até eu iniciar a ingestão de carnes.

Quando resolvi ser vegetariana, a minha alimentação era de muita massa, pães e refinados. Eu tentava ser saudável e amiga dos animais, mas em contrapartida, eu estava prejudicando a minha saúde e engordando, com uma distensão abdominal, muitas espinhas no rosto e uma TPM monstruosa.

Hoje, estou adaptada e comendo comida de verdade, não tenho desconforto abdominal, meus níveis de energia melhoraram, consigo praticar meus exercícios utilizando a gordura do meu corpo e não preciso fazer estoque de carboidrato para assegurar um bom treino, meus exames estão ótimos, pele unha e cabelo saudáveis, minha fome diminuiu e hoje consigo sustentar esse estilo de vida para sempre.

Se passaram 7 meses, e mesmo com a esbórnia alimentícia das festas de final de ano, estou muito bem.

Deixei para trás 12 quilos ao longo desses sete meses e muita roupa que não fazem mais parte do meu novo guarda roupa, tirei uma capa de gordura que me fazia mal e me transformei, me sinto uma nova pessoa, mais jovem, com mais disposição e com isso me superei.

Pela primeira vez na vida, gosto do que vejo no espelho, me acho bonita e me aceito assim e estou muito feliz em conseguir vencer essa área da vida em um ano tão difícil. Poderia estar reclamando, sentada no sofá e vendo tv, engordando, triste, com o celular apoiado na barriga e vendo a vida maravilhosa dos meus amigos no Facebook. Mas, eu não queria aquilo para a minha vida e a responsabilidade era somente a minha, de fazer a mudança.

Costumo ouvir que o esporte imita a vida e vice versa, essa superação comigo e os desafios da vida, só me fizeram ver o quanto sou forte e determinada quando quero algo. O esporte me ajudou e esta me ajudando muito nessa jornada.

O marido que antes torcia o nariz para a minha “dieta”, hoje, ele é o primeiro a ir para o fogão fazer a nosso café da manhã e sim, faz questão de comer bem. Mesmo ele não seguindo a risca, conseguiu eliminar a barriguinha e mandou embora 7 quilos que estavam sobrando. A saúde e a disposição, agradeceram.

Não somos perfeitos, temos o nosso momento de comer um doce ou uma massa, a diferença é que fazemos desse momento, um verdadeiro ritual, curtimos cada colherada. Afinal, isso não faz mais parte da nossa rotina.

O que aprendi e o que acho mais importante é que, apenas eu posso determinar o que quero para minha vida, somente eu posso fazer as minhas escolhas do que coloco para dentro do meu corpo, para a máquina continuar funcionando bem.

O ano só está começando, a análise que faço é que tenho outras áreas da vida para fazer o ajuste. Mas, se estou com a saúde em ordem, posso ir onde eu quiser.

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