Na década de 60, meu pai tinha o hábito de viajar com os amigos até Aparecida do Norte, pedalando os quase 150 km. A roupa que ele usava era diferente das que usamos hoje para pedalar, não havia camiseta leve ou drifit, bermuda com proteção no assento, muito menos tênis ou capacete.

Ir à Aparecida era um grande evento para toda a família e era tradicional fazer a foto na frente da igreja. A viagem merecia traje social, com direito a calça de tergal, camisa de manga longa e sapato. A bicicleta era o modelo da época, com banco de molas, lanterna na frente, paralamas nos pneus e não haviam marchas na bicicleta.

Cresci ouvindo as histórias que ele me contava com muito intusiasmo.

Na penúltima vez que estive em Aparecida, fui conhecer a igreja antiga e me surpreendeu ver que era a mesma igreja que servia de fundo para as inúmeras fotos do álbum da minha família. Hoje, a praça parece mais estreita, há muita poluição visual de carros e publicidade, diferente das fotos daquela época.

Por um longo instante, eu me vi naquelas fotografias que eu via quando criança.

Ontem, consegui levar o meu pai até aquela praça em Aparecida e fazer a nossa foto com aquele cenário de fundo, infelizmente a foto ficou desfocada, mas o que vale é a intenção. O mais importante é que foi um dia especial para ele e para mim.

Meu pai no meio.
Meu pai e eu