Crédito: .maidentrip.com

Ontem, enquanto zapeava a tv em busca de algo para assistir, encontrei o documentário MAIDENTRIP no Netflix, que conta a jornada de Laura Dekker, uma garota que nasceu e viveu os cinco primeiros anos em um barco na Nova Zelândia, depois disso seus pais se divorciam e voltam para a Holanda, e ela então decide morar com o pai, que trabalhava em um estaleiro, para que ela pudesse manter vela. 
Ela ganha seu primeiro barco aos 6 anos de idade e faz sua primeira travessia sozinha para a Inglaterra quando completa 13 anos.

Aos 14 anos, morando na Holanda, decide tornar-se a pessoa mais jovem a dar a volta ao mundo, sozinha em um barco.

Mas, para Laura conseguir iniciar a jornada, ela e seu pai tiveram que enfrentar uma batalha judicial com o governo holandes, por considerar a viagem perigosa para a adolescente.

A idéia de Laura era de contar a sua história e mostrar o quanto gostava de velejar. Seus pais sempre a apoiaram muito, a criaram como uma aventureira desde pequena. É muito ousada a atitude do pai em deixá-la partir. Em algum momento do filme ele diz: “um dia , você tem que deixá-los ir”. E a mãe diz a ela: “aventura sim, correr riscos não”. Isso sim é incrível!

Após 11 meses de luta, Laura embarca na aventura, sozinha, sem barco de apoio, tripulação ou equipe de filmagem. Não, pera! 
Ao assistir o doc, me veio a cabeça várias dúvidas sobre a tal aventura.

Mas como uma adolescente consegueria velejar em um barco enorme, fazer comida, enfrentar tempestades, ventos e ainda fazer imagens lindas. Tudo sozinha, por quase 2 anos?

Bom, quase tudo que assisto, eu questiono muito sobre. Como foram feitas as imagens, processo de edição, iluminação artificial ou natural e captação de áudio. Gosto muito de fazer essa análise.

No documentário, as imagens eram bem estáticas, o áudio estava perfeito e o texto dela sempre se referia a nós. Talvez ela se referisse a ela e o barco, não sei. 
É claro que tudo passou por uma pós produção, teve uma equipe grande por trás para finalizar o filme, apesar de levantarem a bandeira por ser um filme independente.
Na descrição das cameras utilizadas, mostra apenas uma Sony Handycam, mas me parece que usaram GoPro em vários takes de dentro do barco.

Me questiono se não havia mais uma pessoa auxiliando alí, ao menos na captação das imagens, dentro do barco.
Na descrição do filme, diz que foi ela quem fez todas as gravações, exceto quando ela aportava nos países, que provavelmente havia uma equipe.
Sei que existe a magia do cinema, a ideia da imaginação, mas não entendo o propósito de não mencionarar a equipe enorme que existe por de trás de cada filme, do documentário ou de um programa de tv, principalmente programas de aventura, desafios extremos. Mostram apenas os atores, como se somente eles estão alí, sobrevivendo. Quer provar o que e para quem?

Afinal, quando estamos viajando e estamos em algum momento tenso da viagem, automaticamente paramos de apertar o botão do REC, é automático, pelo menos é o que acontece comigo. É impossível enfrentar o problema visualizando pelo view finder da camera.

Bem, não tiro o mérito da atuação da jovem aventureira, que mostra todo seu amadurecimento, seu conhecimento em navegacão e as decisões que teve de tomar durante uma tempestade ou quando fazia os desvios de rota.

Realmente a velejadora parecia totalmente em casa no mar, mesmo em situações que exigiam um pouco mais de atenção, ela sorria e encarava aquilo como algo desafiador, mas corriqueiro. 
Ao meu ver, o medo vai desaparecendo, conforme vai desenrolando o filme, ela parece mais focada e madura.

Resumindo, é impossível assistir Maidentrip e não querer começar a planejar a próxima expedição e contar uma historia.

Tem vários insights bacanas no documentário e me fez pensar na vida, em projetos e nessa tal busca que temos por liberdade.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.