Palavrório: Tristeza

Janu Ikuno
Aug 28, 2017 · 2 min read

Tenho medo de tudo, menos de tristezas. Lido bem com todas elas, as coloridas e as monocromáticas, as opacas e as que ofuscam tudo tamanho o brilho, as ariscas e as mais dóceis, as anônimas e com sobrenome. Recebo todas com esmero e abraços.

Toda tristeza é fruto de um “não foi, mas poderia ter sido”. Um carinho que deixou de ser feito, uma palavra que chegou atravessada, uma oportunidade que se perdeu, uma noite mal dormida, um nó que, ao invés de desfeito, tornou-se corda de navio a nos puxar de volta.

Foi Valter Hugo Mãe quem me disse que “(…) a tristeza a gente respeita e deita fora. A tristeza a gente respeita e, na primeira oportunidade, deita fora. É como algo descartável. Precisamos usar mas não é bom ficar guardada”.

Cria de expectativa e frustração, mesmo que das diminutas, uma tristeza tem vocação para se transformar em alegria e plenitude ou, no mínimo, em uma canção para ouvir enquanto se é devorado por um copo de coca-cola.

Uma tristeza brilhante

Todo céu noturno é uma tristeza disfarçada de espaço sideral.

Uma música de tristeza

Em Alice, de Tom Waits, a tristeza parece transbordar. Ouça aqui, se quiser.

Uma tristeza em filme

Apesar de registrada em preto e branco, a tristeza em “O Garoto”, de Charles Chaplin, é lilás.

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Janu Ikuno

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Eu escrevo sobre estratégia, cultura de inovação, transformação digital e um pouquinho de filosofia.

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