Ainda no reino animal

Comecei a me masturbar acho que com 12 anos, foi como boa parte da minha geração, conheci a desgraça por má influência. Após saber da sua existência, resolvi tentar, confesso: achei a primeira vez estranha e confusa, não entendi o orgasmo, muito menos a turbulência de sentimentos gerada. Sem demorar comecei a desbravar esse terreno, tinha chegado a hora de tentar duas seguidas ou de ter mais frequência, para um adolescente, era como um carro desgovernado.
 
Quando já estava habituado, resolvi parar por ter conhecido os benefícios através do VT UOL. Os tópicos mensais de nofap eram um reduto de gente desesperançada apoiando-se nisso como o último recurso para evoluir socialmente. Dos benefícios ‘comprovados’, eu relato a menor dificuldade em manter contato visual, melhor fluidez nos diálogos e, que eu não senti, mas muitos outros sentiram, a maior frequência de sonhos, fora a consequência natural de ter mais vontade de sexo e acabar correndo atrás disso.
 
O nofap se tornou um hábito, eu passava mais dias sem me masturbar do que dias de perdição. Mas começou a faltar algo mais, nessa época coincidiu eu começar a frequentar à igreja, logo era natural conectá-las. A fé foi o meu combustível, queimei-o até onde pude, mas a força da natureza foi mais forte. Voltando ao estado anterior, eu estava bitolado espiritualmente, faltava somente isso para eu ser senhor de mim mesmo. Recorri a confissão, o padre me falou sobre sexualidade, o que eu não esperava e não conseguia compreender até então, mas eu estava unido à esperança de alcançar a paz.
 
É natural ao animais se masturbarem, vejo até minha calopsita usando o poleiro para tal, mas nós não somos bestas, somos dotados duma inteligência que nos permite controlar as nossas vontades mais selvagens. A melhor analogia para sexualidade foi a que o confessor usou, a de um vulcão, mesmo você o tampando, ele dará um jeito de transbordar. Ou seja, por mais que você persista no nofap, o máximo que você vai conseguir é parar por um certo tempo, provavelmente só meses, parar em definitivo é improvável.

Eu decidi domar esse vulcão, tentar canalizar essa energia para meus objetivos. Óbvio, tenho consciência dos meus pecados e busco confessá-los, é o caminho menos correto, mas é o meu próprio caminho. Não alcancei a paz que queria, somente um relaxamento com um porém: o perigo reside nas fantasias sexuais, às vezes a cena imaginada é deplorável, mas sempre é promíscua. Se você acha que consegue seguir com o nofap, tente, mas esteja ciente das condições reais desse tratamento.