dele

é algures entre um e o outro pulmão. um muro, uma falha, um lembrete de que ele já não está aqui comigo. um lembrete de que ele nunca esteve aqui comigo. e, ainda assim, lembro as discussões sobre o restaurante de sábado à noite, o dia de conhecer os pais dele, as molduras com fotos bordadas a mel, os dedos, o nariz, os caracóis… se me esforçar consigo até lembrar a nossa casa na praia, a nossa primeira noite, o nosso primeiro filho.

mas há algo que falta a estas memórias. não é a verdade, porque são verdadeiras para mim. não é amor porque, bom, amor nunca faltou. o que falta na moldura, na discussão e na cama é ele.

é sempre ele que me falta.

é sempre ele que me falta entre um e o outro pulmão.