Dos amores que (não) vivemos

“Não tem jeito, ele não quer mais mesmo, eu tô procurando as passagens e tô voltando pra Jales”.

Foi quando recebi essa mensagem na última quarta-feira que meu dia começou a desmoronar. Foi enviada por uma amiga, uma das pessoas que mais amo no mundo, que está a exatamente 2.764km de mim.

Somos amigas desde que me entendo por gente e ela tem muito mais tempo de vida com o, agora ex-marido, do que sozinha. Quase 20 anos compartilhados, um milhão de fotos tiradas, muitas viagens, vários países, uma bull terrier sensacional, muitas e muitas postagens sobre o quanto amar é lindo.

Sempre desejei à eles tudo o que pedia pra mim. Sempre pensei que “separe quem se separar, eu quero viver igual aqueles dois. Aquilo sim é amor”. E era. Mas deixou de ser.

Porque às vezes não dá pra simplesmente explicar as coisas. Elas acontecem. Nos resta celebrar esses quase 20 anos de muita felicidade e torcer por dias melhores.

Ontem, essa mesma amiga me disse “eu não sei o que fazer sem ele. Nunca me vi sozinha”. Eu também não saberia, mas palhaça que sou mandei ela voltar pra casa, instalar o Tinder e dar match em todo mundo “porque quem tem dó é piano”.

Nos falamos por horas, secretamente eu chorei até cansar, me perguntei por que mudamos tanto e nunca estamos satisfeitos com o que temos. QUE PORRA DE INSATISFAÇÃO É ESSA?

Tive amores lindos, amores que nunca aconteceram, amores que esqueci, amores que me mudaram… celebrei cada um deles. Cada casamento, cada desfecho, cada ensinamento. Me tornei amiga da maior parte do meu passado. Essas pessoas me ensinaram tanta coisa boa e eu cresci tanto graças à elas que a amizade eu levo pra vida.

Queria poder bater no peito e falar o quão satisfeita estou exatamente nesta fase da minha vida. Mas seria mentira. Me pego pensando se é assim com todo mundo, se as pessoas sempre acham que falta algo, mesmo que não falte.

Que todos os amores mereçam ser brindados, dos que não aconteceram aos que deram certo por 20, 30, 50 anos… E que, quando o amor doer, não nos falte colo. Nunca. Porque nós não somos de ferro.

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