Por que as estrelas ficam no céu?

Sempre tive uma fascinação enorme pelas estrelas, de todos os tipos. As metafóricas e as de verdade. Quando cai a noite, parece que tudo fica maior, mais forte. Os sentimentos se intensificam, a coragem começa a aparecer e histórias são escritas. Quem nunca teve uma boa história para contar que aconteceu no meio da noite? Eu tive algumas, mas existe uma bem especial.

Era já o auge da madrugada e éramos só nós, mais ninguém. Pelo menos no nosso mundo. Conversa vai, conversa vem, a bebida já havia passado um pouco do ponto e acabamos por declarar aqueles sentimentos que deveriam permanecer escondidos. Sim, aqueles que a gente sabe. Não era certo (naquele momento) e sabíamos disso, mas era maior que o nosso racional podia suportar.

A princípio eu não sabia muito bem o que me atraía, era como se seu brilho me encantasse de uma forma leve e sutil, como se sua luz tocasse minha pele e a fizesse reluzir. Eu me sentia iluminada, apaixonada por uma estrela. Uma estrela em ascensão você já era, ali! E você era lindo! Não tinha como parar de te admirar, olhar nos teus olhos era como me perder na imensidão do universo, nas estrelas de verdade. Na minha estrela que estava em minha frente. Só minha.

Logo menos, eu também comecei a crescer e ganhar brilho, era minha vez de começar a iluminar aqueles ao nosso redor. Você se encantou mais e as nossas auras se entrelaçaram, nossas luzes pareciam uma só!

E aí viramos uma dupla que parecia imbatível! Com a nossa luz e influência, ganhamos pessoas incríveis ao nosso redor, encantamos a população e viramos capazes de colocar esperança nos olhos daqueles que já a haviam perdido. Muitos nos admiravam e tínhamos orgulho disso, existia alguém que estava aproveitando essa nossa união.

Porque para nós mesmos, não foi tudo tão lindo. As nossas luzes nos cegaram. Era quente demais. Era forte demais. Era claro demais. Havia tanta preocupação em encantar e iluminar, que focamos só nas nossas auras. Não fomos capazes de enxergar quem estava por trás de cada uma delas. E essa cegueira nos fez errar. Mais do que devíamos. Tomamos o caminho contrário do que deveria ser, do que havíamos sonhado naquela primeira noite escura.

Entretanto, passou para mim. Minha luz foi diminuindo, meu tempo de estrela foi se acabando e eu voltei a enxergar novamente. Precisei de tempo até acostumar com a escuridão e criar coragem de encontrar com a sua aura novamente.

E ela só aumentou. Você está mais lindo. Mais encantador. Talvez, porque eu tenha sido capaz de te ver mais uma vez como te via antes. Só que dessa vez, não posso chegar tão perto, não posso me cegar.

Só que eu ainda tenho essa escolha, você não tem. Ainda vê as imagens distorcidas. Ainda me vê com aqueles clarões que escondem os melhores traços. Espero pelo dia em que sua missão de luz termine e voltemos a ser apenas aqueles dois loucos na escuridão da noite. Espero muito.

Porque se teve uma coisa que aprendi foi que o melhor lugar para as estrelas é o imenso universo, bem distante da nossa terra onde estamos. O brilho delas dói, queima, cega, e destrói aqueles laços suaves que a noite criou.