Tirania da Inovação

A forma burocrática como é conduzido o processo criativo nas empresas brasileiras


Manual é uma criação feita para padronizar os processos, seguir e reproduzir instruções com o objetivo de chegar a um resultado exato do que se propõe, ou ao menos algo muito próximo da exatidão. Se não chegar a isso, não serve como manual. Como da origem de seu próprio nome, manual é algo para executar, “fazer com as mãos”, como sugere, não necessariamente com a mente. É um instrumento muito bom, o mundo avançou incrivelmente em função da padronização dos processos, sistemas, materiais, enfim, toda sorte de entes padronizáveis. Mas novamente, com o nome mesmo sugere, é algo que tem em sua característica intrínseca a reprodução, não a reflexão.

Me espantou o Manual de Oslo. Não o conteúdo, mas sim sua terminologia. Como ser um manual se lida com inovação. No dicionário tem como sinônimos inovar, criar, como definir standards para a criação. Talvez seja uma visão que aproxima inovação de invenção, tão parecidas. Mas tomando nota dos dados, algo ainda fica em suspenso: um suposto paradoxo da padronização da inovação.O grande problema não está em si no próprio manual, que, claro, é de grande vantagem para o mundo; mas sim em como ele é visto por entidades de fomento, principalmente as direcionadas para as micro e pequenas empresas. Esta é a forma: manual.

De fato, uma pequena empresa quando procura uma entidade de fomento tem o "desejo" em melhorar suas condições, e não a solução para isso. Seu primeiro contato com a inovação institucionalizada pode ser considerada, em até certo grau, traumática. A energia gasta com a padronização dos eventos empresariais mais corriqueiros, necessários ao seu bom funcionamento, já tende a esgotar a capacidade criativa dos colaboradores e da direção: orçamento e controle, contabilidade gerencial e estratégica, documentação tributária, CRM, dentre tantos outros. A inovação, já não vista como essencial para os pequenos, entra de forma burocrática, onde o foco está no registro do processo inovador e não no ambiente de inovação. Destaca-se as ferramentas, não as pessoas que vão utilizá-las. Já as grandes empresas, dentro de órgão de formento de grande porte, tendem a ter maturidade e resursos para lidar com as questões de inovação.

Sejam em ambas escalas, muito da energia inovadora pode se perder no caminho percorrido para alcançá-la. Transformar o processo inovador em burocracia inovadora cria gera ótimos relatórios. Já resultado? Isso o tempo irá revelar.

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