“Participar”: Um desafio jovem

A participação juvenil, assente no diálogo entre os agentes
políticos e os jovens, é cada vez mais necessária na construção
de uma sociedade mais justa e igualitária. Onde a democracia e o
respeito pelos direitos humanos deverão ser prioridades.

Falar em juventude é sempre um desafio constante. Sendo que
um dos grandes objetivos atuais passa por, simplesmente, ter os
mais novos a “participar”. Como acontece com os mais velhos, e
nos mais variados assuntos, os jovens optam, frequentemente,
por não se envolverem, sendo muitas vezes considerados um
grupo de “difícil acesso”. Esta constatação faz-nos atentar nas
formas utilizadas para “incendiar” a sua mobilização, na medida
em que devem ir ao encontro dos seus interesses, necessidades
e até mesmo dificuldades.

Na nossa sociedade, é muitas vezes focada a ideia de que, para
“participar”, terá de haver algum tipo de ganho pessoal ou social,
afastando-se assim muitos dos possíveis contributos, e
colocando os jovens à margem das soluções. Trata-se de uma
ideia pré-concebida, que requer ser “desmontada” por todos
nós, com o intuito de conseguirmos ganhar credibilidade,
cativando assim os jovens para as mais diversas atividades
democráticas e cívicas.

Delegar nos jovens as tomadas de decisões será um ponto chave
para que desenvolvam os sentimentos de domínio e
responsabilidade na vida em comunidade. Terão assim um papel
ativo nas suas próprias vidas, e na sociedade em que se
encontram inseridos. Contudo, as diferentes realidades atuais
espelham diferentes níveis de participação dos jovens nas
tomadas de decisão, inclusivamente no que diz respeito a um ato
tão elementar como votar. O dever cívico mais elementar.

Felizmente também se verifica o contrário, e existem
variadíssimos exemplos em que são os jovens a dedicar-se
apaixonadamente a matérias que lhes interessam
verdadeiramente. Mesmo se, por vezes, essa participação é
pouco sustentável. Ser jovem na atualidade é completamente
diferente do que sucedia há 20 anos. O desenvolvimento das
redes sociais e o uso constante da Internet possibilitam, nos dias
que correm, um maior acesso à informação, motivando também
os jovens que assim apresentam mais empenho sobre
determinadas questões. Pena que, por vezes, esse seja um gosto
volátil e que se resume a uma sucessão de “clicks”.

De forma transversal, deve referir-se que as autoridades públicas
devem apoiar e fortalecer ferramentas que incentivem a
participação dos jovens. Tão ou mais importante, devem
igualmente acolher os contributos dados, para que
posteriormente se sintam os seus impactos. Se pensarem que
estão a desperdiçar tempo, certamente vão evitar futuras
mobilizações.

Os jovens de hoje sabem perfeitamente o que o que querem,
pelo que existe a necessidade de os ouvir, facilitando assim a sua
participação e o seu envolvimento. Esse é um desafio que não
pode ser ignorado. Vamos a isso! Todos.

Mónica Seidi