“Se repetirmos demasiadas vezes que tudo está bem começamos a acreditar no que dizemos.”

JAUPA
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Sep 3, 2018 · 2 min read

Se repetirmos demasiadas vezes que tudo está bem começamos a acreditar no que dizemos.

Há uns anos para cá que somos inundados com informação estatística sobre os bons resultados do turismo nos Açores. Capas de jornais como “Turismo nos Açores cresceu”, ou “Açores atingem recordes” tem sido alvo de repetições constantes.

Se por um lado é verdade que os Açores têm cada vez mais turistas, também é verdade dizer que nem tudo é um mar de rosas. É como se ao repetirmos demasiadas vezes, que tudo está bem, talvez os problemas desapareçam. Enquanto gestor e açoriano sou confrontado por um misto de emoções todos os dias. Por um lado, queremos mais turistas todos os dias, aumentar os rendimentos e perspetivar novos investimentos, por outro lado penso muitas vezes que os Açores já começam a ter turistas a mais em algumas ilhas. Enquanto açoriano custa-me ver que o turista por vezes já tem mais privilégios no acesso a alguns locais do que quem cá viveu toda a sua vida.

O turismo parece ser motivo suficiente para sempre que necessário se destrua parte do nosso património natural permitindo muitas construções e intervenções publicas e privadas.

Se é verdade afirmar que o turismo impulsionou a economia Açoriana, também é verdade que grande parte desses lucros são absorvidos por grandes grupos económicos e não são revertidos para as famílias Açorianas.

São os pequenos empresários que melhor fazem a distribuição dos proveitos e como tal deveriam ser protegidos. Num modelo de sustentabilidade não deveriam acontecer situações como por exemplo em algumas ilhas, em que foram construídos hotéis com 100% fundos públicos para depois a sua concessão ser “oferecida” sem lugar a um concurso público que permitisse a algum pequeno empresário de tentar a sua sorte.

Houve de facto um crescimento rápido e desmedido do número de turistas nos Açores que tem revelado muitas fragilidades e alguma falta de planeamento e antecipação. Continua a existir muita falta de mão de obra qualificada e a prioridade deveria ser qualidade em vez de quantidade.

Quando me perguntam como vejo o futuro do turismo nos Açores a verdade é que sou otimista, porque enquanto tivermos estas paisagens e esta natureza de cortar a respiração haverá sempre quem queira vir visitar-nos.

-Sílvio Gonçalves

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    - Associação de Jovens Açorianos Unidos Pelos Açores