A culpa é do estresse…

…que Eu sinto, que Eu alimento, que Eu pareço ter me tornado dependente e que agora Eu culpo como se fosse um parasita em mim!

A definição polida de estresse é:

estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias consequências sistêmicas.

Definição essa que por si só já é estressante. Afinal, uma resposta tão pouco esclarecedora irrita o estressado que faz a pesquisa.

Dizem que o estresse é o mal do século. Só não dizem de que século estão falando, já que mesmo na transição dos anos, o estresse continua fazendo parte da sociedade humana.

Eu defino o estresse como;

1 — O lubrificante sufuroso das engrenagens do pensamento preocupado.

O estresse se apresenta no pensar. É quando pensamos no que precisamos fazer, querendo ou não fazer, ou quando pensamos nos processos e nas possíveis repercussões de qualquer ação, ou quando somos obrigados a silenciar nossas opiniões e escolhas por conta da hierarquia social, ou ainda quando do modo mais patético e inútil possível, nós pensamos em como tudo parece ser uma conspiração universal contra nossos planos e objetivos. Ainda existe o estresse quando pensamos que tudo isso é apenas um reflexo de nossas próprias condutas e postura. Ou seja, o estresse por estar estressado!

O estresse está diretamente ligado ao senso de responsabilidade. Ser responsável é estressante!

O responsável se preocupa e se preocupar é pré-ocupar nossas capacidades com o que ainda não está. evidência, que não está terminado.

Muitas vezes, durante os processos de qualquer coisa, somos obrigados por nossa postura responsável a precipitar possíveis resultados e nos preparar para o erro e a falha de nossos projetos. Seja de que natureza for.

Quando fazemos isso, obrigamos nossa consciência a trabalhar realidades alternativas como se fossem possibilidades de uma escolha consciente. E já que somos seres capazes de avaliar futuras ações e reações, somos também obrigados a suportar o peso de todo planejamento, mesmo que de cem opções, apenas uma seja escolhida no final.

É quando extrapolamos a realidade e nos importamos com o que sequer pode acontecer, que o estresse ganha força.

O estresse não é um momento que acontece e depois some. Ah não, o estresse cresce lentamente alimentando-se das nossas frustrações e do melindre do nosso ego caprichoso.

2 — A camisa de força da irritabilidade pela indignação diante do desastroso equilíbrio de um sistema saturado.

E é aí que o bicho pega!

O pensamento pode ser substituído por uma distração qualquer, mas o estresse causado pela indignação é persistente, eloquente e muito persuasivo.

Tudo que acontece, quando conectado com determinado cenário estressante, alimenta a irritação do estressado e o faz pensar que tudo é um desastre, um caos, uma vergonha…

Mas esse é o tipo de estresse que necessita de esclarecimento. Ninguém fica estressado pelo o que não compreende.

Eu, por exemplo, me estresso com o transporte público de São Paulo. As vezes eu me sinto amarrado por uma camisa de força que me impede de realizar as ações que gritam no meu íntimo.

Usar trem, metrô e ônibus na cidade de São Paulo, sabedoria que tudo é como é por puro descaso do governo, é estressante.

E no meu caso, até o povo me estressa. Não suporto o falatório desenfreado, a falta de noção de espaço, os míopes que fingem não me ver e me atropelam, os espaçosos, os fedidos…

É triste, mas é verdade; algumas pessoas fedem! Eu, que tenho 1,85 de altura, muitas vezes sou obrigado a ficar logo acima de uma cabeça suja, com aquele odor terrível de suor e células mortas se decompondo em meio ao sebo na raiz dos cabelos oleosos — veja como o estresse potencializa tudo -.

Enfim… Voltando ao foco do assunto, esse tipo de estresse, além de esclarecimento, ironicamente exige também paciência. É a paciência que age como a camisa de força. Não é a paciência comum, do tipo paciência de esperar. Não, é a paciência de entender que as coisas são como são por serem alimentadas e que uma ação explosiva gera resultados apenas para que age, e se no caso é o estressado que age, é certo que os resultados serão negativos.

Por exemplo, sabendo que o transporte público de São Paulo é uma vergonha por também saber sobre o repasse do governo vs. o valor pago na catraca, saber da máfia dos consórcios e de como tudo é um circo, eu preciso de paciência para com os imediatistas ligados ao oportunismo e que desejam desesperadamente fazer parte de alguma coisa de impacto, que saem pelas ruas ferrando o trânsito numa sexta-feira para pedir passe livre no transporte público.

O infeliz é tão estúpido ao pensar que por ser “público” o transporte deveria ser de graça, que nada que lhe seja dito sobre as repercussões de algo assim, servem para inserir um pouco de consciência na mente limitada de tal criatura.

Ou seja, não faz o menor sentido discutir com ele, mas a vontade é muito grande. Ainda assim, aquela paciência do estresse indignado nos faz engolir as palavras. Palavras estas que são digeridas e sobem para o cérebro como ácido. É estressante ficar calado por conta da ignorância dos ouvidos alheios.

Existem três métodos que eu penso serem eficiente para se livrar do estresse;

1 — explodir coisas

2 — tirar férias depois de ganhar alguns milhões na loteria

3 — ironizar tudo

A primeira alternativa é a mais legal, mas repercute negativamente.

A segunda seria perfeita se não fosse tão improvável.

Já a terceira, apesar de apenas amortecer o estresse, é deliciosamente simples e divertida.

Ironizar é desestressante!

Mas isso já é outro assunto.

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