E 2015 já vai tarde.

Já são os últimos suspiros de um ano condenado à forca no meu tribunal, sob o meu juízo.

Foi um ano terrível, cheio de turbulências e frustrações. Um ano que deveria ter acabado em janeiro. Ah se eu pudesse!

No meu anuário restaram apenas as capas e o espiral. As páginas foram todas arrancadas e cada idéia, cada plano, cada tentativa foi lançada na lixeira do esquecimento, embolada na insatisfação.

2015 foi um ano semelhante a uma exposição de obras pobres, num museu velho e cheio de gente estúpida falando de novela diante das telas e esculturas sem sentido. Foi decepcionante ficar tanto tempo na fila, de pé sob o sol que fritava meus pensamentos. Mas eu já sabia que seria assim. Dezembro me disse tudo.

No entanto, por mais que sejam ruins as previsões, vivênciá-las é sempre pior! 2015 foi muito pior do que a expectativa. Muito pior!

Acho que nesses meus anos de vida e depois de tantos lugares e pessoas, posso dizer que em 2015 eu vi a maior quantidade de estupidez acontecendo em sequência. Descobri que a real diferença entre São Paulo. e outras cidades do mesmo porte é o número de idiotas por metro quadrado. Passei 365 dias mergulhado num estresse absurdo que me esperava na calçada todas as manhãs e só me deixava quando eu fechava os olhos pra dormir. Absorvi e formulei uma dúzia de preconceitos que se debatiam com os meus princípios e conceitos antes de serem extirpados, mas que deixaram fragmentos de irritabilidade diante de alguns detalhes e ações.

Entendi que as pessoas serão sempre oportunistas, vitimista, ignorantes e petulantes se forem motivadas por algo que lhes ocupe o vazio mental. E que serão por muitos anos, influenciadas pelas políticas de comportamento mais medíocres que puderem existir, se em troca de suas vozes no coral da babaquice, receberem os botons de um grupinho afetado qualquer. Ah como eu me frustrei com pessoas se vendendo por ideias ridículas!

Em 2015 eu perdi a fé nas pessoas!

Eu sempre considerei que as pessoas viviam reagindo. As coisas aconteciam e elas reagiam. As inovações surgiam e elas reagiam. A idéia de ação e reação era para mim como um dueto entre a vida e as pessoas.

Eu pensava que em algum momento as pessoas perceberiam que viver reagindo só faz sentido se for para acumular energias para algo maior. Descobrir que na verdade todos vivem na inércia do que não compreendem, foi um choque! É até um tanto deprimente ver tanto potencial sendo desperdiçado em troca de “coisas que brilham”. Se antes eu considerava as pessoas como poços de possibilidades, hoje as vejo como mariposas apaixonadas pela luz. E isso é tão triste!

Ah sim, foram as pessoas o que fizeram 2015 ser um inferno pra mim.

Na minha vida eu continuei na mesma. Trabalhando feito um louco pra conseguir sobreviver nesse sistema cancerígeno que me governa. Sofrendo com as ironias da vida que insistem em me perseguir transformando minhas ações em caóticas circunstâncias. Fazendo tudo que aparentemente é minha obrigação. Devorando meus livros, ouvindo minhas músicas… Tudo como sempre.

Acontece que eu sou un daqueles tipos que nasceu para observar os vizinhos. Não do tipo curioso. Aquele tipo que veio para ser um “antropólogo” natural. E por isso eu acreditava nas pessoas.

Eu assistia as coisas acontecendo e esperava outro tipo de repercussão. Era como ficar olhando uma partida de xadrez, prever os melhores movimentos e ser obrigado a ver as escolhas erradas garantirem a derrota no jogo. Por mais que eu seja suficiente para mim mesmo, eu sempre quis verdadeiramente estar presente quando ocorresse alguma mudança significativa na sociedade. Bem, em 2015 eu vi acontecer, mas foi uma frustração sem tamanho.

É lamentável pensar que poderíamos ser uma sociedade surpreendente se nos empenhassemos em realizar o que nos engrandece, e perceber que dia após dia as pessoas se apegam mais e mais no que não lhes oferece nada em troca. Eu não consigo entender como podem ser tão ignorantes. Do que adianta ser capaz de raciocinar se o raciocínio é um luxo que muitos desprezam por escolha? É o retrocesso motivado pela falta de conteúdo!

Vou começar 2016 sem acreditar que esses meus vizinhos possam ser algo mais do que apenas um acumulado de células movidas a oxigênio.