
O texto abaixo faz parte do Teorema do Eu.
Uma simples maçã que ao cair espontaneamente da macieira rolar por uma encosta e estacionar no solo distante de sua origem, irá sofrer reações químicas naturais causadas pelo meio influindo em sua composição até que de sua decomposição possam surgir pequenas criatura absolutamente diferentes de uma maçã e possivelmente uma nova macieira. A vida surge de um fruto sem vida, decomposto que deixa de existir sem sequer se mexer.
Enquanto muitos buscam respostas cheias de glamour para determinar a origem da vida humana, eis aqui uma teoria menos agradável que certamente não irá satisfazer seus anseios, mas que nem por isso deixa de ser como qualquer outra teoria; pura especulação respaldada por possibilidades químicas e físicas.
Apesar de sermos um tanto fascinados pelos dinossauros, o planeta Terra já vivenciou outros eventos de extinção. Muitas criaturas que já viveram aqui são hoje apenas memórias registradas em carbono. Outras criaturas no entanto, foram simplesmente afastadas do estudo geral das massas como se por algum motivo não nos fosse interessante conhecê-las. Por exemplo, o que você sabe sobre o homem de Neandertal? Você sabia que nós, homo sapiens, convivemos com eles?
Sim, nós convivemos com o homem de Neandertal, ou seja, durante um determinado momento houveram duas espécies de humanos nesse planeta. E apesar de a história nos narrar o Neandertal como um ser grosseiro, eles tinham costumes muito parecidos com os nossos além de uma genética praticamente idêntica com a nossa e um cérebro ligeiramente maior. Mas eles sumiram, simplesmente desapareceram do planeta e não existem explicações muito conclusivas até o momento.
Então pergunte-se, por que seres humanos tão próximos do que somos hoje nos causam menos interesse e curiosidade do que imensos animais pré históricos aniquilados por um asteroide?
Nós, seres dotados de razão e cheios de orgulho de tal capacidade, somos medrosos em demasia!
Nós temos pavor de pensar que outros seres pensantes existiram antes de nós e que o eco de sua existência possa ameaçar o brilhantismo do nosso discurso fantasioso elaborado para nos fazer acreditar que somos obras divinas ou o topo da evolução da espécie. Mas façamos aqui uma suposição puramente hipotética.
Imagine o planeta Terra ainda virgem de influência racional. Um planeta propício à vida, cheio de recursos, com uma atmosfera limpa sem qualquer tipo de poluição resultante dos processos de transformação em busca de progresso. Era um momento do tempo em que o sol ainda era "jovem" e portanto com menor massa e campo gravitacional diferente do de hoje. Sem nos aprofundar muito nesse tipo de aspectos, vamos imaginar que a Terra era habitada por seres de composição química diferenciada, com capacidades físicas diferenciadas e até com algum tipo de "poder".
Esses seres, dotados de habilidades especiais, existiam no planeta sem causar grandes danos vivendo em harmonia com as condições do sistema natural e atuando de forma menos invasiva enquanto prosperavam. Assim como tudo mais que respeita os limites da natureza, esses seres dependiam exclusivamente de condições adequadas para existir e faziam parte do sistema de transformação da matéria fazendo valer o "nada se cria, tudo se transforma".
Imaginemos então que por algum motivo esses seres tenham sumido, talvez um vento solar mortal, uma erupção vulcânica que tenha liberado alguma substância na atmosfera, ou o simples interesse de mudar de planeta. O único registro de sua existência que restou no planeta são os corpos dos que já haviam perecido. Imaginemos que dá decomposição desses corpos, tenham sido liberados no planeta substância químicas capazes de produzir pequenos organismos menos complexos, mas com registro genético suficiente para se transformar em algo extraordinário.
Sabemos que a macieira que brotou daquela maçã decomposta possui a mesma assinatura que a macieira que produziu a maçã que rolou pela encosta, no entanto, já que estão em solos diferentes, o desenvolvimento de ambas não será o mesmo. Ou seja, se esse evento de cair e rolar se repetir algumas vezes, a última macieira será bastante diferente da primeira. E o mesmo acontecerá com os vermes da decomposição, a cada nova maçã apodrecida no solo, tipos ligeiramente diferentes de vermes surgiram.
Não vamos tentar decidir se somos macieiras ou vermes, mas usemos a ideia como referência; e se o que somos hoje é resultado de um grande ciclo de transformação de matéria que teve início na morte de um ser antigo?
Pavoroso não é?
Mas vejam, nós sabemos que mesmo que não seja de nossa escolha, nós adotamos muitos comportamentos de nossos pais. Além da assinatura genética que nos dá detalhes físicos, existem também referências genéticas capazes de nos influir modos e condutas que inclusive rejeitamos nas fases de rebeldia juvenil. Você deseja e tenta ser diferente, mas com o passar do tempo acaba se tornando um eco de seus pais. Nós também sabemos que esse tipo de reflexo não depende exclusivamente da convivência, pois é capacteristica da espécie que informações sejam passadas de forma genética auxiliando na evolução da espécie. Mesmo que grande parte dessa transfusão seja voltada para mudanças relacionadas a uma melhor qualidade de vida e mais adaptabilidade, existem também fragmentos de memória comportamental transportados em nosso DNA.
Agora olhe o mundo atual, vejam como existem diversos lembretes de comportamento inexplicável que tentamos elucidar através de mitos, histórias, lendas e teorias pouco comprovadas. Temos uma imaginação cheias de seres que nunca vimos, temos construções arquitetônicas com dimensões absolutamente desproporcionais ao nosso tamanho, temos costumes que fazem parte da nossa rotina, mas que não entendemos a origem, temos fenômenos absolutamente incompreensíveis... Existe tanto que não sabemos e tanto que nós apenas fingimos saber. As pirâmides, por exemplo, são mais recentes do que o homem de Neandertal e não sabemos o real sentido delas.
Claro que existem inúmeras teorias a respeito de tudo, mas temos de considerar dois pontos de extrema importância que nós adoramos desprezar:
- Somos criaturas escravizadas por instintos e manipuladas por estímulos.
Por mais que adoremos a ideia de sermos inteligentes, não podemos esquecer que temos uma mente racional presa dentro de um corpo animal. Temos de considerar que lutamos todos os dias para conter instintos que nos levariam a extinção se os deixássemos nos dominar. E, como se isso não bastasse, somos facilmente enganados por por nossos próprios sentidos o tempo todo. E não é só por ilusões de ótica ou algo do tipo, basta que você seja tomado por uma vontade louca de comer bolo, por exemplo, e você sentirá até o cheiro de bolo no ar, mesmo que não tenha nenhum bolo em quilômetros de distância.
- Toda resposta ao homem é feita pelo próprio homem.
Tudo que aparentemente corresponde nossas expectativas e curiosidades é fruto de estudos, pesquisas e experimentos realizados por nós mesmos, usando equipamentos e equações que nós mesmos criamos e que oferecem resultados compreensíveis apenas para nós mesmos. Por exemplo, existem mais de 7 milhões de espécies de animais no planeta, para quantas dessas espécies a matemática faz sentido? Para quantas dessas espécies tem importância a contagem do tempo, a distância entre um planeta e outro, a composição química de Marte ou o efeito colateral de comer manga e tomar leite na sequência?
Tudo o que estudamos serve apenas para sanar nossa própria curiosidade, mas tudo está limitado aos recursos que criamos e condensados em resultados que somos capazes de entender. Todas as "verdades" que nos esclarecem são meros discursos de uma compreensão pequena e imatura.
Tudo bem que essa não é uma teoria tão linda quando receber um "sopro" divino e ganhar a vida, mas isso faz diferença?
Vejam como estamos sofrendo e destruindo por não saber coexistir com o planeta que nos abriga de forma consciente, não seria melhor tentar encontrar meios de vivermos melhor ao invés de tentar responder um início que ainda não somos capazes de compreender?
Nós ainda estamos brigando com nossos vizinhos por conta de escolhas e opiniões diferentes, estamos aniquilando seres indefesos que vivem em equilíbrio pleno com o meio, estamos nos matando como se fossemos descartáveis, estamos desesperadamente correndo atrás de curas e tratamentos que nos dê mais tempo, mas não estamos usando o tempo que temos para evoluir.
Isso tudo é tão ridículo que anula quase que por completo todo esse prestígio que a razão nos oferece. Vai ver nós não passamos mesmo de resquícios da putrefação de algo que já foi muito melhor do que somos hoje.
