Hipérbole

Ela está morrendo…

Morre todos os dias

Morre de saudade, de vontade… Morre

Ela está se desfazendo…

Evaporando no calor dos últimos momentos

Se misturando com o vento e subindo…

Está sumindo.

Vai desaparecer

Vai ter com os gigantes que sempre escalou com os olhos

Desbravando páginas e páginas de tudo que eles disseram antes de também morrer

Ela vai abandonar o mundo

Vai deixar sozinha a solidão

Vai me, nos deixar… Órfãos.

Ela está morrendo como morrem as flores

Depois que findam seus perfumes e suas cores

Ela está morrendo como morrem as nuvens

Quando cansadas do céu choram para o chão

Ela está morrendo como as estrelas

Que mesmo quando deixam de existir

Continuam ecoando pela imensidão.

Ela vai morrer

No próximo segundo

Na contagem dos mundos

Feito um vagabundo

Que sem pressa se embriaga da vida

Até morrer depois de beber a vida inteira.

Morrerão as curvas, o olhar, o riso… E as palavras.

Vai morrer a poesia.

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