O câncer que o homem se tornou.

Quando o homem decidiu sair da natureza, o fez por reconhecer na razão a oportunidade de ser muito mais do que apenas um animal.

O homem abriu mão de sua própria natureza por enaltecer características que lhe pareciam ser mais favoráveis.

Depois disso, alimentado pelo ego e ambição, o homem fez do homem, o ser máximo sobre a natureza dizendo-se à imagem de Deus e com permissões de fazer o que considerar melhor com o resto do mundo.

Se no início caçávamos e matávamos por sustento, hoje basta que sejamos incomodados para que tomemos o direito divino de exterminar toda uma “comunidade” de formigas, por exemplo. Ou se sentimos desejo por uma pele animal, caçamos, matamos, industrializamos e comercializamos.

Se acreditamos no afrodisíaco de um tutano, matamos o animal.

Se queremos um enorme marfim, matamos o animal.

Se as costas doem, matamos um animal por sua gordura medicinal.

Os motivos são inúmeros, mas o resultado é sempre o mesmo: a morte de um ser que continua na natureza que abandonamos.

As consequências, além de muito pequenas, quase sempre exigem um nível mais elevado de consciência para que possam ser consideradas com o devido peso e valor. Em virtude disso, o homem não se sente responsável, culpado e/ou envergonhado de todas as atrocidades que cometeu e continua cometendo desde que trocou os pelos por fios de seda.

Ainda que sejamos racionais e tenhamos o potencial de avaliar consequências antes mesmo das ações, deixamos de lado o raciocínio para mais uma vez enaltecer apenas uma característica. A ambição do homem é certamente o maior veneno sobre a terra. É por ambição que o homem não mede esforços e não avalia a repercussão de seus atos, que consequentemente trazem o fim para cada vez mais perto. Ou será que alguém acredita na continuidade da vida sem a existência da natureza?

Pois bem, qual dentre todos é o animal mais destrutivo que existe? O homem, certo?

Sendo assim, ao considerar que o homem é o único animal dotado de razão, não seria correto dizer que o homem é também o animal menos inteligente do planeta? Afinal, a busca pelo próprio fim não me parece nada racional!

Pensando de modo superficial e otimista, poderíamos considerar que grande parte da destruição cometida pelo homem têm como objetivo a preservação do mesmo.

O desmatamento é para a criação de gado, verduras e legumes, grãos, móveis, moradias… Etc.

Seria uma “resposta” aceitável se não fosse tão evidentemente irreal!

Somos muitos. Somos em demasia. Somos como um câncer que se multiplica pela face da terra, consumindo tudo como parasitas inconsequentes e sem oferecer qualquer retorno positivo. O desenvolvimento do homem, enquanto totalmente egoísta para com o planeta, não serve de nada para a natureza.

Na natureza existe o que é conhecido como equilíbrio. O equilíbrio sempre se responsabiliza por garantir a sobrevivência de um ambiente e/ou ecossistema. Não importa o quanto demore, nada se mantém desbalanceado por tempo suficiente para se tornar irreversível.

O equilíbrio provavelmente já teria agido sobre o homem, mas homem já não faz parte da natureza. O homem vive da natureza, mas a renega como um bastardo ingrato.

Sempre houveram tentativas naturais de balancear a equação que o homem insiste em calcular com erro.

Chuvas que varrem bairros construídos em encostas desmatadas. Pragas que afetam muitos por falta de saneamento. A seca que empoeira regiões inteiras pela falta de consciência. Tsunamis, terremotos, desmoronamentos…

Mas o homem é insistente, não aprende e não desiste. Cria inúmeros “curativos” para disfarçar as feridas que produz no planeta, e, como se não bastasse, a falta de cuidado e manutenção faz tudo “infeccionar” e piorar cada vez mais. Essas tantas “feridas” aos poucos se conectam e em breve o planeta entrará em estado terminal.

Estamos em tempos em que se tornou evidente a necessidade de medidas que possam controlar nossa destruição. Precisamos também elaborar projetos que possam garantir nossa sobrevivência por mais alguns anos. Muito tem sido feito. Muitas mentes estão fervendo pelo mundo todo tentando encontrar soluções. Mas sejamos práticos, façamos uso da razão por um instante; como controlamos uma praga? Um agricultor não pulveriza agrotóxicos para lustrar os corpos delgados que destroem sua plantação! Somente exterminado a praga que se alastra por um campo é que se pode extrair deste mesmo campo algo produtivo.

Isso pode parecer algo monstruoso. Imagino que algumas pessoas jamais pensariam em algo assim. Algumas até entrariam em desespero só de pensar.

Mas isso acontece simplesmente por valorizarmos a vida humana em demasia. Classificamos o homem como o ser mais merecedor da vida de todo o mundo.

Ainda assim, qualquer um sabe que ninguém destrói mais a vida do que o homem. Mas no que um homem é melhor do que um cupim? Em nada! A vida do homem é um puro capricho da natureza!

Estamos vivendo num mundo poluído. Cheio de “homens” que não merecem nem o ar que respiram. Se eu pudesse escolher (sei que muitos pensarão “ainda bem que não pode”) começaria eliminando todo o tipo de “gente” que colabora apenas com o retrocesso.

Seriam esses: estupradores, pedófilos, traficantes, dependentes químicos irreversíveis, corruptos, ladrões, fanáticos religiosos, homicidas, genocidas (sim, eu sei que se a escolha fosse minha eu estaria entre esses), estelionatários, falsificadores, contrabandistas, tiranos, etc.

Com essa pequena lista de podridão humana, o mundo já ficaria mais leve. No entanto, não seria suficiente. Ações teriam de ser tomadas para impedir que os que sobrassem caíssem na tentação de ocupar o lugar dos exterminados. O medo deveria ser instaurado, as pessoas teriam de sentir medo de agirem como “animais”. Isso ia resolver grande parte dos problemas, mas aí já é outro assunto.

Já faz tempo que o mundo está pedindo uma limpeza, e só quem é muito inocente pra não perceber isso.

Do jeito que tá, o homem tem menos de 100 anos neste planeta perfeito que não sabemos valorizar.

E isso meus queridos, é um fato!


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